Written By: Fatima Calado
Como planejamos atividades para uma educação especial ou estudantes de uma sala de recursos? Como em qualquer consideração na educação de necessidades especiais, é essencial entender o que são estas necessidades especiais. Os estudantes têm dificuldades físicas ou emocionais? Há estudantes incapazes quanto ao desenvolvimento? Visão ou audição prejudicada? Podemos então basear nossas atividades em torno das necessidades. Aqui estão algumas considerações gerais, seguidas depois por outras mais específicas.
1. Seja atento aos fatores estressantes únicos que seus estudantes com necessidades especiais enfrentam. O que poderia parecer divertido para um estudante comum pode ser aterrorizante para um estudante autista.
2. Monitore a estimulação sensorial: novos sons, aromas, sabores e toques.
3. Mudanças são muito difíceis para muitos estudantes com necessidades especiais. Sua zona de conforme é estreita; novidades podem sem muito intimidantes. Assegure-os de sua segurança pessoal.
4. Limite as variáveis no ambiente. Muitos estudantes sofrem de sobrecarga sensorial, então, mantenha as coisas tão consistentes quanto possível. Mesmo ir a aulas como arte ou música pode ser traumático.
5. Esteja preparado para períodos difíceis, sendo calmo e consistente. Isto estruturará a confiança de seus alunos em situações novas.
6. Discuta opções com os alunos. Muitas vezes uma criança com necessidades especiais só consegue ver uma opção – “bater ou correr”. Faça sessões de brainstorm com eles sobre o que fazer quando se sentem em perigo (pedir ajuda a um adulto, entrar em um corredor, etc).
7. Complete suas ações alertando outros integrantes da equipe ou adultos sobre os planos do aluno.
8. Seja franco com seus outros alunos, especialmente os “normais”. Explique a situação e assegure a eles que serão mantidos seguros. Fale a eles sobre como interagir com alunos com necessidades especiais.
9. Quando selecionar atividades, fale com seus alunos. Pergunte como se sentem e o que apreciariam. Esta tende a ser uma boa hora para uma lição de linguagem. Escreva seus pensamentos no quadro, Use um quadro SQA se eles puderem fazer isto (S – o que eu sei sobre o que estamos fazendo, Q – o que eu quero aprender, A – o que eu aprendi). O quadro é encerrado após a atividade.
10. Para atividades dentro de sala de aula, opte pelo simples em vez do complicado. Este conselho aplica-se a todos os alunos. Eles têm uma oportunidade maior de êxito. A maior meta para a maioria das atividades é interação positiva em geral e comunicação, juntamente com exposição a novas coisas.
11. Para culinária – use massas congeladas e deixe-os decorarem os biscoitos. Use receitas com ingredientes simples que eles gostem – pizza, torta, massas, legumes.
12. Para artes – selecione projetos que encorajem formas livres, como argila, pintura com os dedos, pastéis e colagens. A chave é a participação e exploração dos materiais.
13. Para ciências – atenha-se ao básico, como água, plantas, animais, veículos, segurança e saúde. Estes são fatores no ambiente dos estudantes. Eles frequentemente precisam de auxílio para aprender como enfrentar e interagir. As escolhas do currículo devem ser significativas para a sua vida diretamente.
14. Para música – Eu gostava da abordagem da musicoterapia. Nós usávamos canções, dança e ritmo par a criar uma atmosfera pacífica e feliz. Escolha canções com um tema positivo. O website Mr. Roger gravou a maioria de suas canções, e eu acredito que elas estão entre as melhores.
15. Para Estudos Sociais – olhe mapas. Tenha convidados de outras nações que façam palestras. Concentre-se na comunidade e como interagimos em nossa comunidade local, nacional e global.
16. Para viagens ao campo – mantenha-as simples, seguras e bem supervisionadas. Tente torná-las uma extensão de sua zona de segurança. Encontre recursos com programas simples, organizados.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Registro de Avaliação
Avaliação: Observação, registro, reflexão e intervenção pedagógica.
Ser educador é gestar em si a sensibilidade pedagógica da inconformidade, da inconcretude, lançando-se na empreitada de não se contentar com as explicações fáceis, superficiais e com a rotina mecânica que ofusca, muitas vezes, a criticidade e a criatividade” (SILVA, 2004, p.17)
As palavras acima são um convite à reflexão sobre o papel desempenhado
pelos professores, frente aos muitos desafios que se apresentam no cotidiano escolar.
Dentre esses desafios, a grande responsabilidade que emerge do processo avaliativo,
na perspectiva da avaliação formativa: o compromisso com a aprendizagem e com o
desenvolvimento de todos os alunos.
Assim, avaliar o aluno, assumindo o compromisso com a sua aprendizagem,
implica conhecê-lo. E, para isso, é preciso observá-lo. A observação atenta e reflexiva
é, portanto, um dos procedimentos fundamentais para a prática avaliativa formativa,
e ocorre durante a rotina de trabalho desenvolvida pelo professor com e para os
alunos, nos diversos tempos e espaços escolares.
Mas, como observar cada aluno, diante da dinâmica intensa que se faz presente
nesses diferentes espaços que, em seu conjunto, são ambientes de aprendizagem? - Forneiro (1998) atribuiu à sala de aula uma dimensão mais ampla, entendendo que todo o
espaço escolar é um ambiente de aprendizagem.
Uma boa estratégia é fazê-lo diariamente, a partir de pequenos grupos de cada
vez ou de acordo com a necessidade individual.
Entretanto, considerando-se as limitações próprias da memória humana, para que
essas observações possam subsidiar o processo avaliativo, é necessário que elas
sejam registradas.
A esse respeito, Villas Boas (2004) apresenta algumas orientações:
• “Onde registrar? Estas anotações podem ser feitas em um caderno cujas
folhas possam ser acrescentadas ou retiradas, facilitando assim a inclusão de
novas informações.
Que quantidade de anotações deve ser feita? O importante não é a
quantidade de informações registradas, mas sim, a sua utilidade para o
professor. O exercício desta prática conduzirá à seleção das situações, frases,
ou fatos mais relevantes e que merecem serem registrados.
• O que anotar? As anotações devem ser contextualizadas, ou seja, devem
constar a data, o horário e a situação em que tal fato ocorreu.
• Como anotar? O que foi visto e ouvido é anotado sem interpretações ou
julgamentos. O objetivo dos registros das observações é a construção do
retrato do aluno. As interpretações serão realizadas posteriormente.
• Quando anotar? Estas anotações poderão ser feitas a partir de um
planejamento prévio da observação, ou ainda realizadas espontaneamente,
quando algo interessante acontecer.
• Comentários sobre as necessidades individuais: Enquanto nos outros itens
as anotações se referem ao que foi observado, este espaço é destinado a
registros acerca do “significado do que foi observado, das preocupações e
ações a serem desenvolvidas. Esses comentários referem-se às necessidades
individuais dos alunos. Por exemplo: Isto tem acontecido sempre que ele chega
atrasado. Conversar com ele para saber a razão constante dos atrasos.”
(VILLAS BOAS, 2004, p.101).
As observações realizadas e registradas possibilitam ao professor refletir sobre
as situações evidenciadas. Algumas questões podem orientar essa reflexão, tais
como:
• Que conquistas o aluno demonstrou nesse período, em relação às
expectativas de aprendizagem propostas?
• Que aspectos ainda necessitam ser trabalhados para que ele alcance as
expectativas de aprendizagem propostas?
• Quais foram as intervenções realizadas no sentido de auxiliá-lo na
superação de suas necessidades?
• Como o aluno respondeu a essas intervenções?
• Que outras providências podem ser tomadas para auxiliá-lo?
Certamente, outras questões poderão ser somadas a essas, tendo em vista
outros aspectos que o professor julgue necessários para as suas reflexões e para a
promoção de melhores condições de aprendizagem para o seu aluno.
As anotações das observações realizadas, juntamente com a análise e com a
reflexão a respeito de outros instrumentos de avaliação utilizados, permitem ao
professor identificar as necessidades e potencialidades do aluno, considerando
sempre, o caráter provisório do conhecimento.
Essa postura investigativa, reflexiva e respeitosa, acerca do processo de
aprendizagem do aluno, será uma forte aliada do professor, uma vez que lhe fornecerá
elementos para a reflexão da sua intervenção pedagógica e para a reorganização do
seu trabalho.
A articulação da observação, da reflexão e da intervenção pedagógica fornece
elementos para o preenchimento do Registro de Avaliação, instrumento de registro
individual de avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do aluno.
O Registro de Avaliação
Como já apresentado no início deste documento, o Registro de Avaliação é
um instrumento individual de avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do
aluno das séries/anos iniciais do ensino fundamental. É composto por expectativas de
aprendizagens descritas para cada ano de escolarização, as quais dizem respeito aos
componentes curriculares propostos pelas Orientações Curriculares do Ensino
Fundamental Séries e Anos Iniciais (2009).
O Registro de Avaliação oferece informações sobre o processo de
aprendizagem do aluno e a organização do trabalho pedagógico do professor. É
fundamental para a construção do Registro de Avaliação a articulação entre a
observação, a reflexão e a intervenção pedagógica.
Para a sua utilização deve-se levar em conta a singularidade de cada aluno, de
maneira que o que for registrado reflita a história da construção da aprendizagem e do
seu desenvolvimento em determinado período.
Para realizar a avaliação das aprendizagens do aluno, o professor precisa usar
diferentes instrumentos avaliativos, tais como a ficha, o relatório individual, o portfólio
ou o dossiê, contendo registros sobre as produções (trabalhos, produções individuais
ou grupais) do aluno, os registros das observações que realizar, assim como outros
documentos de que dispuser e que dizem respeito à trajetória do aluno na instituição
educacional.
Aliada ao uso desses instrumentos está a avaliação informal, que segundo
Freitas (1995), se constitui nos relacionamentos entre os professores e os alunos. A
esse respeito, o autor destaca que:
(...) o juízo que o professor faz do aluno afeta suas práticas em sala
de aula e sua interação com esse aluno. Baseado em alguns
elementos objetivos, o professor constrói todo um processo interno
de análise cuja manifestação final é a nota ou o conceito. Esse
processo leva em conta sua memória sobre o aluno, em área como o
desempenho no conteúdo, sua disciplina e motivação para o estudo
e envolve aspectos ideológicos-conscientemente ou não. (p.262).
A avaliação informal está presente nos registros que o professor faz do
processo de aprendizagem dos alunos. Entretanto, nem sempre é prevista, os alunos
não sabem que estão sendo avaliados. Por isso, Villa Boas (2004) afirma que ela deve
ser desenvolvida com ética e responsabilidade, tendo em vista que essa avaliação
também refletirá na construção da auto-imagem e do autoconceito dos alunos.
A propósito, a autora acrescenta, ainda, que a avaliação informal é usada de
maneira positiva quando os alunos são encorajados e não desmotivados ou expostos
a críticas. Esse encorajamento pode acontecer quando o professor:
Dá ao aluno a orientação de que ele necessita, no exato momento dessa
necessidade; manifesta paciência, respeito e carinho ao atender as suas
dúvidas; providencia os materiais necessários à aprendizagem;
demonstra interesse pela aprendizagem de cada um; atende a todos com
a mesma cortesia e o mesmo interesse, sem demonstrar preferência;
elogia o alcance dos objetivos da aprendizagem; não penaliza o aluno
pelas aprendizagens ainda não adquiridas, mas ao contrário, usa essas
situações para dar mais atenção ao aluno, para que ele realmente
aprenda; não usa rótulos nem apelidos que humilhem ou desprezem os
alunos; não comenta em voz alta suas dificuldades ou fraquezas; não faz
comparações; não usa gestos nem olhares de desagrado em relação á
aprendizagem. (p.24).
.
É possível afirmar, com isso, a necessidade do “olhar” atento do professor ao
trabalho pedagógico e a toda dinâmica educativa, afinal a avaliação acontece nas
diferentes atividades educativas.
Os Conceitos do Registro de Avaliação
Esses aspectos referentes à avaliação informal devem ser considerados na
utilização do Registro de Avaliação. Além disso, será relevante que o professor
observe no ano/série em que está atuando, as expectativas de aprendizagem que
foram trabalhadas e como foi o desempenho de cada aluno no decorrer do bimestre.
Para tanto, ao final desse período, o professor indicará um conceito, dos três
apresentados a seguir, que corresponda ao desenvolvimento do aluno em relação à
expectativa da aprendizagem em questão.
O Registro Descritivo
Esse campo compõe o Registro de Avaliação e se destina ao registro
descritivo sintético das conquistas e das dificuldades apresentadas pelo aluno
ao longo do bimestre, considerando o conceito final atribuído em cada componente
curricular. Nele, o professor deverá relatar os aspectos que determinaram o conceito
final quando marcado como Parcialmente Satisfatório ou Não Trabalhado, citando os
conteúdos não aprendido no bimestre. Será fundamental, ainda, explicar as
intervenções pedagógicas propostas pelo professor para possibilitar a aprendizagem
do aluno em questão.
É importante destacar que o objeto do relato é o resultado da avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do aluno. Assim sendo, recomenda-se que seja evitado o emprego de palavras ou expressões depreciativas, comparativas, ou quaisquer outras formas de comunicação que remetem à discriminação ou à sua exposição.
Alguns dos exemplos a seguir ilustram esta orientação:
- Adjetivos comparativos – Maria é a mais levada.
- Adjetivos superlativos – Joana é levadíssima.
- Palavras significando extremo, advérbios de intensidade – José nunca faz...
- Julgamentos que devem ser aferidos por especialistas de áreas específicas–
Sônia é hiperativa.
- Generalizações – Laura tem dificuldade na aquisição de conhecimentos.
- Remetem a situações conclusivas negativamente – João não sabe. Flávia não
consegue. (SEDF, s/d)
Essa postura se distancia da finalidade da avaliação formativa, uma vez que
esta rejeita procedimentos dessa natureza, por não propiciarem condições de
aprendizagem e desenvolvimento para os alunos e podem induzir à criação de rótulos
e preconceitos (VILLAS BOAS, 2004)
O processo avaliativo no contexto do trabalho pedagógico reivindica ser
conduzido com ética, como dito antes. Para tanto, é necessário que seja um ato de
acolhimento e não de exclusão; de valorização e de potencialização das
aprendizagens e não de exposição. (ESTEBAN, 2003; LUCKESI, 2003, VILLAS
BOAS, 2004).
Os instrumentos e procedimentos de avaliação, quando utilizados na
perspectiva da avaliação formativa, instituem um trabalho educativo pautado no
exercício permanente de investigação do professor a respeito das necessidades
educativas dos alunos e das práticas que desenvolvem com eles.
Entretanto, é importante ressaltar: o que faz a avaliação ser formativa não é a
utilização ou não de determinado instrumento. Segundo Villas Boas (2006), o que faz
a avaliação ser formativa é a prática do professor.
É relevante, portanto, o envolvimento de toda a equipe escolar no sentido de
fazer da avaliação uma prática a favor da aprendizagem de todos os alunos,
contribuindo para “proporcionar educação de qualidade, que não somente leve a termo
a análise de rendimento escolar, mas sim alternativas de superação das
desigualdades sociais” (SEDF, 2009, p.9). Afinal, “qualidade para poucos não é
qualidade, é privilégio.” (GENTILI, 2002, p.176).
Ser educador é gestar em si a sensibilidade pedagógica da inconformidade, da inconcretude, lançando-se na empreitada de não se contentar com as explicações fáceis, superficiais e com a rotina mecânica que ofusca, muitas vezes, a criticidade e a criatividade” (SILVA, 2004, p.17)
As palavras acima são um convite à reflexão sobre o papel desempenhado
pelos professores, frente aos muitos desafios que se apresentam no cotidiano escolar.
Dentre esses desafios, a grande responsabilidade que emerge do processo avaliativo,
na perspectiva da avaliação formativa: o compromisso com a aprendizagem e com o
desenvolvimento de todos os alunos.
Assim, avaliar o aluno, assumindo o compromisso com a sua aprendizagem,
implica conhecê-lo. E, para isso, é preciso observá-lo. A observação atenta e reflexiva
é, portanto, um dos procedimentos fundamentais para a prática avaliativa formativa,
e ocorre durante a rotina de trabalho desenvolvida pelo professor com e para os
alunos, nos diversos tempos e espaços escolares.
Mas, como observar cada aluno, diante da dinâmica intensa que se faz presente
nesses diferentes espaços que, em seu conjunto, são ambientes de aprendizagem? - Forneiro (1998) atribuiu à sala de aula uma dimensão mais ampla, entendendo que todo o
espaço escolar é um ambiente de aprendizagem.
Uma boa estratégia é fazê-lo diariamente, a partir de pequenos grupos de cada
vez ou de acordo com a necessidade individual.
Entretanto, considerando-se as limitações próprias da memória humana, para que
essas observações possam subsidiar o processo avaliativo, é necessário que elas
sejam registradas.
A esse respeito, Villas Boas (2004) apresenta algumas orientações:
• “Onde registrar? Estas anotações podem ser feitas em um caderno cujas
folhas possam ser acrescentadas ou retiradas, facilitando assim a inclusão de
novas informações.
Que quantidade de anotações deve ser feita? O importante não é a
quantidade de informações registradas, mas sim, a sua utilidade para o
professor. O exercício desta prática conduzirá à seleção das situações, frases,
ou fatos mais relevantes e que merecem serem registrados.
• O que anotar? As anotações devem ser contextualizadas, ou seja, devem
constar a data, o horário e a situação em que tal fato ocorreu.
• Como anotar? O que foi visto e ouvido é anotado sem interpretações ou
julgamentos. O objetivo dos registros das observações é a construção do
retrato do aluno. As interpretações serão realizadas posteriormente.
• Quando anotar? Estas anotações poderão ser feitas a partir de um
planejamento prévio da observação, ou ainda realizadas espontaneamente,
quando algo interessante acontecer.
• Comentários sobre as necessidades individuais: Enquanto nos outros itens
as anotações se referem ao que foi observado, este espaço é destinado a
registros acerca do “significado do que foi observado, das preocupações e
ações a serem desenvolvidas. Esses comentários referem-se às necessidades
individuais dos alunos. Por exemplo: Isto tem acontecido sempre que ele chega
atrasado. Conversar com ele para saber a razão constante dos atrasos.”
(VILLAS BOAS, 2004, p.101).
As observações realizadas e registradas possibilitam ao professor refletir sobre
as situações evidenciadas. Algumas questões podem orientar essa reflexão, tais
como:
• Que conquistas o aluno demonstrou nesse período, em relação às
expectativas de aprendizagem propostas?
• Que aspectos ainda necessitam ser trabalhados para que ele alcance as
expectativas de aprendizagem propostas?
• Quais foram as intervenções realizadas no sentido de auxiliá-lo na
superação de suas necessidades?
• Como o aluno respondeu a essas intervenções?
• Que outras providências podem ser tomadas para auxiliá-lo?
Certamente, outras questões poderão ser somadas a essas, tendo em vista
outros aspectos que o professor julgue necessários para as suas reflexões e para a
promoção de melhores condições de aprendizagem para o seu aluno.
As anotações das observações realizadas, juntamente com a análise e com a
reflexão a respeito de outros instrumentos de avaliação utilizados, permitem ao
professor identificar as necessidades e potencialidades do aluno, considerando
sempre, o caráter provisório do conhecimento.
Essa postura investigativa, reflexiva e respeitosa, acerca do processo de
aprendizagem do aluno, será uma forte aliada do professor, uma vez que lhe fornecerá
elementos para a reflexão da sua intervenção pedagógica e para a reorganização do
seu trabalho.
A articulação da observação, da reflexão e da intervenção pedagógica fornece
elementos para o preenchimento do Registro de Avaliação, instrumento de registro
individual de avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do aluno.
O Registro de Avaliação
Como já apresentado no início deste documento, o Registro de Avaliação é
um instrumento individual de avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do
aluno das séries/anos iniciais do ensino fundamental. É composto por expectativas de
aprendizagens descritas para cada ano de escolarização, as quais dizem respeito aos
componentes curriculares propostos pelas Orientações Curriculares do Ensino
Fundamental Séries e Anos Iniciais (2009).
O Registro de Avaliação oferece informações sobre o processo de
aprendizagem do aluno e a organização do trabalho pedagógico do professor. É
fundamental para a construção do Registro de Avaliação a articulação entre a
observação, a reflexão e a intervenção pedagógica.
Para a sua utilização deve-se levar em conta a singularidade de cada aluno, de
maneira que o que for registrado reflita a história da construção da aprendizagem e do
seu desenvolvimento em determinado período.
Para realizar a avaliação das aprendizagens do aluno, o professor precisa usar
diferentes instrumentos avaliativos, tais como a ficha, o relatório individual, o portfólio
ou o dossiê, contendo registros sobre as produções (trabalhos, produções individuais
ou grupais) do aluno, os registros das observações que realizar, assim como outros
documentos de que dispuser e que dizem respeito à trajetória do aluno na instituição
educacional.
Aliada ao uso desses instrumentos está a avaliação informal, que segundo
Freitas (1995), se constitui nos relacionamentos entre os professores e os alunos. A
esse respeito, o autor destaca que:
(...) o juízo que o professor faz do aluno afeta suas práticas em sala
de aula e sua interação com esse aluno. Baseado em alguns
elementos objetivos, o professor constrói todo um processo interno
de análise cuja manifestação final é a nota ou o conceito. Esse
processo leva em conta sua memória sobre o aluno, em área como o
desempenho no conteúdo, sua disciplina e motivação para o estudo
e envolve aspectos ideológicos-conscientemente ou não. (p.262).
A avaliação informal está presente nos registros que o professor faz do
processo de aprendizagem dos alunos. Entretanto, nem sempre é prevista, os alunos
não sabem que estão sendo avaliados. Por isso, Villa Boas (2004) afirma que ela deve
ser desenvolvida com ética e responsabilidade, tendo em vista que essa avaliação
também refletirá na construção da auto-imagem e do autoconceito dos alunos.
A propósito, a autora acrescenta, ainda, que a avaliação informal é usada de
maneira positiva quando os alunos são encorajados e não desmotivados ou expostos
a críticas. Esse encorajamento pode acontecer quando o professor:
Dá ao aluno a orientação de que ele necessita, no exato momento dessa
necessidade; manifesta paciência, respeito e carinho ao atender as suas
dúvidas; providencia os materiais necessários à aprendizagem;
demonstra interesse pela aprendizagem de cada um; atende a todos com
a mesma cortesia e o mesmo interesse, sem demonstrar preferência;
elogia o alcance dos objetivos da aprendizagem; não penaliza o aluno
pelas aprendizagens ainda não adquiridas, mas ao contrário, usa essas
situações para dar mais atenção ao aluno, para que ele realmente
aprenda; não usa rótulos nem apelidos que humilhem ou desprezem os
alunos; não comenta em voz alta suas dificuldades ou fraquezas; não faz
comparações; não usa gestos nem olhares de desagrado em relação á
aprendizagem. (p.24).
.
É possível afirmar, com isso, a necessidade do “olhar” atento do professor ao
trabalho pedagógico e a toda dinâmica educativa, afinal a avaliação acontece nas
diferentes atividades educativas.
Os Conceitos do Registro de Avaliação
Esses aspectos referentes à avaliação informal devem ser considerados na
utilização do Registro de Avaliação. Além disso, será relevante que o professor
observe no ano/série em que está atuando, as expectativas de aprendizagem que
foram trabalhadas e como foi o desempenho de cada aluno no decorrer do bimestre.
Para tanto, ao final desse período, o professor indicará um conceito, dos três
apresentados a seguir, que corresponda ao desenvolvimento do aluno em relação à
expectativa da aprendizagem em questão.
O Registro Descritivo
Esse campo compõe o Registro de Avaliação e se destina ao registro
descritivo sintético das conquistas e das dificuldades apresentadas pelo aluno
ao longo do bimestre, considerando o conceito final atribuído em cada componente
curricular. Nele, o professor deverá relatar os aspectos que determinaram o conceito
final quando marcado como Parcialmente Satisfatório ou Não Trabalhado, citando os
conteúdos não aprendido no bimestre. Será fundamental, ainda, explicar as
intervenções pedagógicas propostas pelo professor para possibilitar a aprendizagem
do aluno em questão.
É importante destacar que o objeto do relato é o resultado da avaliação das aprendizagens e do desenvolvimento do aluno. Assim sendo, recomenda-se que seja evitado o emprego de palavras ou expressões depreciativas, comparativas, ou quaisquer outras formas de comunicação que remetem à discriminação ou à sua exposição.
Alguns dos exemplos a seguir ilustram esta orientação:
- Adjetivos comparativos – Maria é a mais levada.
- Adjetivos superlativos – Joana é levadíssima.
- Palavras significando extremo, advérbios de intensidade – José nunca faz...
- Julgamentos que devem ser aferidos por especialistas de áreas específicas–
Sônia é hiperativa.
- Generalizações – Laura tem dificuldade na aquisição de conhecimentos.
- Remetem a situações conclusivas negativamente – João não sabe. Flávia não
consegue. (SEDF, s/d)
Essa postura se distancia da finalidade da avaliação formativa, uma vez que
esta rejeita procedimentos dessa natureza, por não propiciarem condições de
aprendizagem e desenvolvimento para os alunos e podem induzir à criação de rótulos
e preconceitos (VILLAS BOAS, 2004)
O processo avaliativo no contexto do trabalho pedagógico reivindica ser
conduzido com ética, como dito antes. Para tanto, é necessário que seja um ato de
acolhimento e não de exclusão; de valorização e de potencialização das
aprendizagens e não de exposição. (ESTEBAN, 2003; LUCKESI, 2003, VILLAS
BOAS, 2004).
Os instrumentos e procedimentos de avaliação, quando utilizados na
perspectiva da avaliação formativa, instituem um trabalho educativo pautado no
exercício permanente de investigação do professor a respeito das necessidades
educativas dos alunos e das práticas que desenvolvem com eles.
Entretanto, é importante ressaltar: o que faz a avaliação ser formativa não é a
utilização ou não de determinado instrumento. Segundo Villas Boas (2006), o que faz
a avaliação ser formativa é a prática do professor.
É relevante, portanto, o envolvimento de toda a equipe escolar no sentido de
fazer da avaliação uma prática a favor da aprendizagem de todos os alunos,
contribuindo para “proporcionar educação de qualidade, que não somente leve a termo
a análise de rendimento escolar, mas sim alternativas de superação das
desigualdades sociais” (SEDF, 2009, p.9). Afinal, “qualidade para poucos não é
qualidade, é privilégio.” (GENTILI, 2002, p.176).
terça-feira, 15 de junho de 2010
A cidade com fundamentos
Abraão... peregrinou na terra da promessa... habitando em tendas... porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Heb. 11:8-10.
Alguns anos atrás, os editores de mapas dos Estados Unidos pesquisaram as condições de vida em todas as grandes cidades daquele país e chegaram à conclusão de que a cidade de Yuba, na Califórnia, tinha as piores condições. Por outro lado, Pittsburgh, na Pensilvânia, foi colocada como a melhor. Compreensivelmente, os habitantes de Yuba não ficaram felizes ao tomar conhecimento da pesquisa, e isso se justifica.Não faz muito tempo, li que as cidades do mundo todo estão-se deteriorando rapidamente no aspecto físico. Em Nova Iorque, por exemplo, os canos que levam a água para a cidade estão num estado tão lamentável que, se eles se rompessem, a cidade enfrentaria uma catástrofe de grandes proporções. Substituí-los seria tão dispendioso, que essa solução foi posta de lado como virtualmente inviável.
Mas as cidades não estão enfrentando meramente a deterioração física. Estão declinando moral e espiritualmente também - e por infelicidade essa deterioração infecta as cidades pequenas do mesmo modo. Segundo uma pesquisa divina, feita nas grandes cidades da Terra há muitos anos, nenhuma delas é um lugar ideal para se viver - e o conselho é sair delas do modo mais rápido e prudente possível. (Ver o livrinho Vida no Campo, de Ellen G. White.)
Atente para estas palavras de conselho e advertência: "Nossas cidades estão se tornando cada vez mais ímpias, e cada vez mais se torna evidente que os que desnecessariamente nelas permanecem, fazem-no pondo em perigo a salvação de sua alma." - Vida no Campo, pág. 14.
A cidade na qual Abraão esperava morar tinha "fundamentos". Isso é entendido como referência à Nova Jerusalém (ver Apoc. 21). A Palavra de Deus nos assegura que "nela nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do Cordeiro". Apoc. 21:27.
Que prazer será viver naquela cidade! Nossa peregrinação aqui na Terra é o preparo para nos tornarmos habitantes daquela grande metrópole.
A Visão do Quadro Completo
Sois... edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Efés. 2:19-22.
Christopher Wren, o famoso arquiteto inglês que projetou a Catedral de S. Paulo, em Londres, caminhava certo dia pelo prédio em construção e perguntou a cada operário o que estava fazendo. Um deles disse que estava assentando tijolos; outro, que estava colocando os vitrais no lugar; outro ainda, que estava fazendo trabalho de carpintaria para a construção. Nenhuma das respostas foi a que o Sr. Christopher desejava ouvir.
Quando o grande arquiteto estava para deixar o local da construção, passou por um homem que misturava argamassa. Fez-lhe a mesma pergunta.
Erguendo-se acima de sua humilde tarefa, o operário respondeu com orgulho: "Estou construindo uma grande catedral, senhor!"
Que resposta! Que visão! Um artesão medíocre não via nada além da tarefa específica na qual estava envolvido, mas ali estava um homem que, embora executando um trabalho de subalterno, olhava para além da argamassa e conseguia divisar o quadro completo.
Quando eu era adolescente, cantávamos um hino intitulado "Construindo Para a Eternidade". A primeira estrofe era mais ou menos assim:
Com alegria ou tristeza, estamos edificando
um templo que o mundo pode nem ver;
o tempo não pode danificá-lo nem destruí-lo;
construímos para a eternidade. - N. B. Sargent
Quer nos demos conta, quer não, todos estamos envolvidos na construção de um templo. Nossa tarefa pode não parecer importante, mas segundo o nosso texto estamos moldando a vida para ocupar um lugar no templo espiritual de Deus. Pergunte a si mesmo assim como eu me pergunto: "Sou eu como os pedreiros comuns na construção da Catedral de S. Paulo ou como o misturador de argamassa, que captou a visão do quadro completo?"
domingo, 6 de junho de 2010
Trovadorismo
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