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quarta-feira, 30 de maio de 2012

O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR DIANTE DOS CONFLITOS: UMA ANÁLISE NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL JOÃO AMARO DE SOUZA EM CANINDÉ – CEARÁ



UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC
INSTITUTO UFC VIRTUAL
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR





SANDRA COELHO BASTOS







O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR DIANTE DOS CONFLITOS: UMA ANÁLISE NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL JOÃO AMARO DE SOUZA EM CANINDÉ – CEARÁ











FORTALEZA
2012
SANDRA COELHO BASTOS







O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR DIANTE DOS CONFLITOS:UMA ANÁLISE NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL JOÃO AMARO DE SOUZA EM CANINDÉ – CEARÁ





Trabalho de Conclusão de Curso – TCC submetido à coordenação do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Escolar da Universidade Federal Do Ceará – UFC, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista.

Orientadora: Profª.Me. Maria José Marques




FORTALEZA - CEARÁ
Sandra Coelho Bastos
SANDRA COELHO BASTOS



O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR DIANTE DOS CONFLITOS:UMA ANÁLISE NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL JOÃO AMARO DE SOUZA EM CANINDÉ – CEARÁ


Trabalho de Conclusão de Curso – TCC submetido à coordenação do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Escolar da Universidade Federal Do Ceará – UFC, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista.

Orientadora: Profª. Me. Maria José Marques.

Aprovada em ______/______/_______




BANCA EXAMINADORA



__________________________________________________
Profª.Msª. Maria José Marques (Orientadora)
Universidade Federal do Ceará (UFC)

__________________________________________________
Profª.Me.


 AGRADECIMENTOS

 A Deus, pela oportunidade;
Aos meus pais, José e Ilma;
A minha família, incentivadora de minhas vitórias;
A minha orientadora, Maria José Marques;
À coordenação do curso, Rogério;
À Secretaria de Educação do Município de Canindé;
À equipe pedagógica da Escola de Ensino Fundamental João Amaro de Souza, pelas contribuições e parcerias nesse trabalho;
Aos sujeitos que participaram desta pesquisa, fornecendo dados relevantes;
Aos meus colegas de trabalho, em especial: Erineuda, Noêmia, Nete, Maria Martins, Marilane, Celimar e Carla Adriele.

 
“O gestor escolar na atualidade tem o desafio de buscar continuamente a melhoria da qualidade de ensino na escola básica. Desse modo, é necessário que se desenvolva uma visão holística da escola como sistema em sintonia com a realidade e tendo a comunicação como parceira, com um olhar que deve sinalizar a prática dentro de uma perspectiva do conhecer para gerar novos significados do ensinar e aprender”.

(Vera Vasconcelos)

RESUMO


O presente estudo procura abordar o papel dos gestores na resolução de conflitos cotidianos na sala de aula. Para tal procedimento busca analisar a situação vivenciada pelos alunos e profissionais da escola João Amaro de Souza, situada no município de Canindé, estado do Ceará. Partindo do questionamento: Qual o papel de uma gestão democrática diante dos conflitos gerados no âmbito escolar, iniciou com uma ampla consulta bibliográfica disponível sobre o assunto, aliada a experiência prática junto à escola em questão, possibilitando uma aproximação entre a teoria estudada e a prática do dia-a-dia. Com o objetivo de responder esta questão e formalizar a coleta de dados, optou-se pela entrevista com alunos e profissionais, possibilitando que eles apresentassem, simultaneamente, seus conceitos, impressões e concepções sobre o tema. Após a transcrição dos dados coletados e a confrontação com os estudos já realizados, os resultados apontaram para a necessidade de rever práticas pedagógicas e estabelecer um modelo de gestão que seja capaz de agir juntamente com a comunidade escolar. Alem disso o gestor deve ter autonomia para tomar decisões junto com seu grupo, para que os conflitos possam ser, se não evitados, mas contornados da melhor maneira possível.

Palavras-chave: Gestão Democrática, Conflitos, Sala de aula, Estratégias.

ABSTRACT

This study seeks to address the role of managers in resolving everyday conflicts in the classroom. For this procedure is to analyze the situation experienced by students and school professionals JoãoAmaro de Souza, located in Canindé, state of Ceará. Starting from the question: What is the role of democratic management in the face of conflicts generated in the school, started with an extensive bibliographic available on the subject, combined with practical experience with the school in question, allowing a closer relationship between theory and practice of the studied day-to-day. In order to answer this question and formalize data collection, we chose to interview students and professionals, enabling them to present both their concepts, ideas and impressions on the subject. After transcribing the data collected and the confrontation with the previous studies, the results pointed to the need to review teaching practices and establish a management model that is able to act together with the school community. Furthermore the manager should have the autonomy to make decisions with your group, so that conflicts can be, if not avoided, but skirted the best possible way.


Keywords: democratic governance, conflict; classroom; strategies.




SUMÁRIO

1     INTRODUÇÃO 08
2     ALGUMAS CONCEPÇÕES SOBRE A GESTÃO DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA 11
3     OS CONFLITOS DO DIA-A-DIA: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 16
4     COMO LIDAR COM OS CONFLITOS NO CONTEXTO DA ESCOLA JOÃO AMARO DE SOUZA 22
5     PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS 26
5.1 Caracterização da escola..........................................................................26
5.2 Sujeitos da pesquisa.................................................................................27
6     APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 28
6.1 O ponto de vista dos alunos 28
6.2 O ponto de vista da diretora da escola 29
6.3 O ponto de vista dos auxiliares de serviço 30
6.4 O ponto de vista dos professores 31

7     CONCLUSÃO33
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS35
APÊNDICE36


1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho é fruto de uma pesquisa realizada na escola João Amaro de Souza, localizada no distrito de Salitre, no município de Canindé – CE, sobre o papel do gestor escolar diante dos tantos conflitos existentes no dia a dia da sala de aula.
No mundo atual, diante dos problemas sociais e a preocupação com os caminhos da educação, buscamos uma gestão escolar democrática no sentido de conseguir solucionar problemas ocorridos na escola. Acreditamos que o maior comprometimento rumo ao progresso democrático e uma educação de qualidade se transformam em um fenômeno das relações humanas, fazendo com que os conflitos que ocorram na escola sejam reduzidos ao máximo.
Na tentativa de compreender melhor o processo no qual se dá a resolução de conflitos dentro da perspectiva de uma gestão democrática e participativa, nos propusemos trabalhar a temática Como lidar com os conflitos que ocorrem no dia-a-dia da escola.
Sabemos que concepção burocrática restrita não pode ser aplicada à organização escolar, nem deve orientar de modo total ou exclusivo a atividade de gerir na escola. Diante deste contexto, a escola passa por período de redefinição em suas estruturas, na busca de atender às necessidades do mundo moderno, pois a educação por si só não produz mudanças na escola, mas é fundamental dizer que nenhuma mudança é possível sem educação.
Com o comprometimento profissional de quem assume uma escola, e implanta o sistema de gestão democrática tem que aderir o desafio da diversidade em prol da educação, além de ter a consciência que sua atuação deve ter compromisso e precisão, para atender as necessidades da comunidade escolar, respeitando sua cultura, tradições e valores. O papel do gestor da escola é atuar como agente integrador e articulador de ações. Um dos maiores desafios no modelo de gestão democrática é o de enfrentar conflitos e obstáculos dentro dos mais diferentes ambientes, seja na sala de aula, na escola e, porque não dizer, também a comunidade. Contudo o comprometimento com a evolução dos alunos faz com que seja possível a superação dos obstáculos que afetam a realidade escolar.
 .
        Para tanto é necessário a conciliação entre os dados da realidade e a rigidez estrutural da organização, resultante da aplicação dos princípios de autoridade legal, fundados na burocracia.
É bastante comum nos depararmos, no ambiente escolar, com situações conflitantes entre alunos e profissionais, alunos e alunas, mas também entre profissionais e profissionais. Questionamo-nos sobre o que fazer diante de tudo isso. Qual o papel de uma gestão democrática diante desses conflitos? O que dificulta a implantação de uma gestão realmente democrática no sistema político atual? Como assumir o controle de situações como essas que ocorrem diariamente na escola? Quais as principais dificuldades encontradas pelos diretores escolares no âmbito desse contexto?
Para auxiliar na resposta a tais perguntas tomamos como embasamento teórico autores renomados, tais como: Corti (2005), Abramovay (2002), Vasconcelos (2000), Tiba (1996), Freire (2000), Gadotti (1999), dentre outros que contribuíram para uma melhor compreensão do papel da gestão democrática e participativa nos conflitos gerais da escola.
Este estudo foi dividido em três tópicos distintos. O primeiro discute algumas concepções sobre a gestão democrática e participativa, almejando compreender o sentido desta para o bom andamento do processo ensino-aprendizagem.
O segundo conceitua e apresenta algumas consequências que os conflitos provocam ao longo do processo.
O terceiro versa sobre a atuação da gestão democrática da escola em estudo.
A partir daí traçamos o perfil dos sujeitos investigados, analisando a teoria e mostrando como acontece na prática.
Espera-se, com o estudo apresentado, contribuir para novas discussões acerca do assunto em questão, de forma a proporcionar uma maior compreensão sobre como deve atuar um gestor diante dos tantos conflitos escolares, para garantir a melhoria e eficácia do processo ensino-aprendizagem.
Portanto, esta proposta procura à luz dos teóricos estudados, encontrar respostas que satisfaçam as inquietações relevantes e, assim, comparar teoria e prática, assim é possível reavaliar o papel de uma gestão realmente democrática.

2 ALGUMAS CONCEPÇÕES SOBRE A GESTÃO DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA  

A ideia de gestão participativa não é uma coisa nova. Pode-se dizer até que essa é uma das idéias mais antigas de gestão e que nasceu junto com a democracia. Apesar disso, quando se fala em gestão democrática e participativa tem-se a sensação de uma prática nova. Isso ocorre por ser esse um dos mais novos paradigmas da administração.
Até bem pouco tempo prevalecia nas escolas um modelo de gestão ditatorial, onde o diretor era o conhecedor e ditador das regras. Esse é o modelo tradicional de gestão, onde um grupo pequeno de pessoas, geralmente formado por diretor, coordenador e secretário, decide as ações a serem desenvolvidas na escola sem o apoio e nem aprovação dos atores envolvidos no processo educacional (alunos, professores, pais e comunidade). Dessa forma, cada um tinha um papel determinado dentro das instituições: o diretor impunha as ordens, o professor era o mestre do saber e deveria se posicionar como tal e o aluno era o receptor do conhecimento.
No entanto, diante dos avanços tecnológicos, do fácil acesso, da Era da Comunicação Virtual e, principalmente, diante de uma sociedade cada vez mais ciente dos seus direitos e deveres, que participa dos mais diversos campos de inserção, percebemos que a forma de gerir uma escola não estava mais atendendo às necessidades dessa sociedade modernizada e participativa. Por isso não se admitia que a principal fonte formadora de cidadãos fosse gerenciada por uma única pessoa, muito menos que esta agisse sozinha na tomada de decisões.
De forma bem ampla, podemos entender a gestão participativa como uma filosofia ou doutrina que valoriza a participação das pessoas no processo de tomada de decisões, conforme Lück (2006,p.21).

Uma forma de conceituar gestão é vê-la como um processo de mobilização da competência e da energia de pessoas coletivamente organizadas para que, por sua participação ativa e competente promovam a realização, o mais plenamente possível, dos objetivos de sua unidade de trabalho, no caso, os objetivos educacionais.

.
A ideia que se deve ter de gestão democrática vai ao encontro com as ideias de Freire( 2005,p.19) e sua definição para a Educação Popular dizendo que a:
Educação popular como esforço de mobilização, organização e capacitação das classes populares; capacitação científica e técnica. Entendo que esse esforço não se esquece, que é preciso poder, ou seja, é preciso transformar essa organização do poder burguês que está aí, para que se possa fazer escola de outro jeito.

No referente a isso vale salientar que o educador, seja professor, diretor, coordenador pedagógico, precisa enxergar-se como agente transformador e não pode esquecer a sua importância na formação de cidadãos críticos e cientes do seu papel na sociedade, conforme Freire (1996, p. 26) que nos diz que o “educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão”. Ressalta ainda (p. 26), que para se aprender criticamente, exige-se a “presença de educadores e educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes”. Só assim é possível formar sujeitos conscientes, autônomos, que saibam ler as palavras, mas, sobretudo, o mundo ao seu redor.
Algumas características desse modelo de gestão são: o compartilhamento de decisões e informações, a preocupação com a qualidade da educação e com a relação custo–benefício, a transparência (capacidade de deixar claro para a comunidade como são usados os recursos da escola, inclusive os financeiros), mas principalmente a união no que se refere às decisões que dizem respeito ao bom funcionamento da unidade escolar.
Compartilhar decisões significa envolver pais, alunos, professores, funcionários e outras pessoas da comunidade na gestão escolar. Quando as decisões são tomadas pelos principais interessados na qualidade da escola, a chance de que dêem certo é bem maior. Alem disso, se todos esses atores sociais estão buscando alcançar um objetivo comum: uma educação de qualidade, nada mais justo que as ações sejam também em conjunto.
A exemplo disso podemos citar os Conselhos Escolares, que funcionam como mecanismos de participação da comunidade na escola, e que já estão presentes em muitas escolas do país. A função dos Conselhos é orientar, opinar e decidir sobre tudo o que tem a ver com a qualidade da escola (como participar da construção do Projeto Político Pedagógico – PPP e dos planejamentos anuais, avaliar os resultados da gestão e ajudar na busca de meios para solucionar os problemas administrativos e pedagógicos, decidir sobre os investimentos prioritários). Mas não é só nos Conselhos que a comunidade participa da escola. Reuniões pedagógicas, festas, exposições e apresentações dos alunos são momentos em que familiares, representantes de serviços públicos da região e associações locais devem estar presentes. Esse engajamento só é possível com um modelo de gestão que permita essa participação social na tomada de decisões.
Esse novo modelo de gestão fez com que aumentasse a competitividade das organizações. Enquanto os modelos convencionais mantêm os trabalhadores alienados em relação ao controle de seu próprio trabalho, desperdiçando o potencial intelectual das pessoas, a gestão participativa aproveita esse potencial, contribuindo para aumentar a qualidade das decisões e da própria administração, a satisfação e até mesmo a motivação das pessoas. Para compreender esse processo é preciso entender qual é o verdadeiro papel do diretor de uma escola. De acordo com Priolli, (2008, p. 6)

Hoje, na avaliação de secretarias municipais e estaduais, institutos de formação, universidades e do próprio Ministério da Educação, o diretor é a figura central para promover esse ganho de qualidade de que a educação brasileira tanto necessita.


Assim sendo, diante das diversas cobranças da sociedade em relação ao verdadeiro papel da escola no contexto educacional e social, recai diretamente sobre o diretor a responsabilidade de mostrar os resultados.
Priolli (2008, p. 6) ressalta ainda que a rotina do diretor vem se tornando cada vez mais complexa diante da grande importância do papel do mesmo frente a uma instituição.

Ele deve, cotidianamente, dar conta de diferentes gestões: do espaço, dos recursos financeiros, de questões legais, da interação com a comunidade do entorno e com a Secretaria de Educação e das relações interpessoais (com funcionários, professores, famílias).

Além de tudo isso, o diretor não pode perder o foco principal da sua função: a aprendizagem dos alunos. Mesmo diante da inversão e do acúmulo de funções, é necessário que o diretor saiba se posicionar na escola, pois é notória a sua influência nas relações interpessoais. Daí a necessidade em unir forças para a realização de um trabalho produtivo e eficaz.
Se por um lado a gestão participativa é uma forma de união entre escola e sociedade na tomada de decisões referentes à instituição e ao ensino, por outro lado é muito difícil a implantação desse modelo de gestão, tendo em vista a situação político-partidária que envolve todos os setores sociais, inclusive o educacional.
Na verdade qualquer organização que tente implantar e desenvolver práticas de natureza participativa vive sob a ameaça da reconversão burocrática e autoritária dos seus melhores esforços. Isso devido à supervalorização das formas tradicionais de gestão, à história de vida dos seus membros e outros fatores que envolvem a comunidade escolar.
A gestão da escola pode ser compreendida como um ato político, pois implica sempre uma tomada de posição dos atores da sociedade: pais, professores, funcionários, alunos e comunidade em geral. Portanto a sua construção não pode ser uma coisa isolada, antes deve ser coletiva, envolvendo os atores sociais tanto na discussão quanto na tomada de decisões. Sobre isso, Priolli (2008, p. 6) ressalta,

O entendimento de alunos, pais, funcionários, professores e, sobretudo, dos próprios diretores sobre seus papeis na dinâmica escolar é decisivo para determinar a qualidade da instituição. E mais: se todos não enxergam que sua função deve, acima de tudo, colaborar para um processo educativo exitoso, é hora de procurar reverter esse quadro.

Essa idéia mostra que na gestão participativa predominam a liderança, a disciplina e a autonomia. Nela as pessoas são responsáveis por seu próprio comportamento e desempenho. A disciplina não é uma coisa que vem de fora, que é imposta, mas sim um comportamento interior de cada individuo. Assim se cada um conhece e desempenha seu papel dentro da instituição ela terá uma força maior.
Ressaltamos que nem sempre esse modelo de gestão pode ser implantado nas escolas. Isso porque muitas instituições públicas, principalmente municipais, são usadas de forma abusiva por parte dos governantes. Esse abuso pode ser visto principalmente na escolha do grupo gestor de uma escola, na maioria dos casos, por indicação política.
E não é só no âmbito institucional que isso acontece. O próprio Conselho Nacional de Educação (CNE) usa dessa forma de escolha de seus membros, conforme afirma Vieira (2010,p.89) que

De início, eles são eles são indicados por entidades ligadas à educação. Mas, para serem empossados, dependem da aprovação do Presidente da República. Em tese, ele leva em conta a biografia do candidato e procura atender à diversidade do ensino brasileiro, [...] Mas a preocupação – óbvia – é que cada governante criem conselhos à sua imagem e semelhança, enfraquecendo muito o poder fiscalizador do órgão.

Com os coordenadores e diretores de muitas escolas do país também é assim. O prefeito, vereador ou pessoas influentes politicamente são quem escolhem e ditam as regras que eles devem seguir. Sendo assim, ficam muitas vezes impedidos de exercer suas funções com autonomia e liberdade, ou seja, eles devem obedecer aos comandos de quem os colocou nesse cargo.
Mas isso já era de se esperar, afinal a escola é vista hoje como uma das mais importantes fontes formadoras de opinião. É ela que tem, de certa forma, o poder dentro da comunidade. Uma instituição que assuma esse grau de compromisso com a sociedade se torna alvo de grupos políticos interessados em implantar suas idéias dentro dessa comunidade usando a escola como canal.
Uma gestão realmente democrática e participativa deve o ser desde a sua implantação. Isso só pode ser feito por meio de votação direta para escolha do grupo gestor. Se a comunidade escolar: professores, alunos, pais e comunidade escolhessem as pessoas para gerir o estabelecimento, ficaria bem mais fácil o processo de tomada de decisões e execução de ações.
Por fim, é importante saber que, numa gestão democrática, é preciso lidar com conflitos e opiniões diferentes. O conflito faz parte da vida. Mas precisamos sempre dialogar com os que pensam diferente de nós e, juntos, negociar.

3 OS CONFLITOS DO DIA-A-DIA: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS
 A escola é um lugar onde diferentes valores, idéias, culturas, experiências, crenças e relações sociais se misturam, fazendo do cotidiano escolar um espaço de multiplicidades e complexidade estrutural de conhecimentos e de sujeitos. Essa rica heterogeneidade que permeia a escola confronta-se com o que chamamos de padrão social, onde o comportamento dos sujeitos é, de certa forma, ditado pela sociedade na qual estão inseridos, gerando assim uma pedagogia que separa de um lado os tidos como bem comportados e do outro aqueles conceituados como rebeldes. Dessa forma pode-se entender essa pedagogia como sendo excludente.
As relações estabelecidas no contexto escolar têm se tornado cada vez mais difíceis e conflitantes. A idéia de que a escola possa constituir-se num espaço de construção de conhecimento, de alegria, de formação de pessoas conscientes, participativas e solidárias, tem sido barrada pelos sentimentos de desilusão, desencanto e impotência diante dos inúmeros problemas cotidianos.
A partir do momento em que uma pessoa assume a direção de uma escola ela tem de saber que esta é um lugar onde opiniões são formadas e reformuladas a todo instante. É de se esperar que essas diferenças entre as opiniões gerem conflitos entre alunos e alunos, alunos e profissionais, profissionais e profissionais. Por isso é papel do gestor escolar lidar com sabedoria na tentativa de evitar que esses conflitos se transformem em problemas maiores.
Existem muitos tipos de conflitos em uma escola. Alguns, gerados entre profissionais, são mais simples de serem resolvidos. Isso é feito inclusive sem a interferência do grupo gestor. São ocasionados, na maioria das vezes, devido à incompatibilidade de idéias, divergência de opiniões ou mesmo por disputa de poder.
A escola é um espaço de uma vasta pluralidade cultural, por isso Antunes (2003, p.10) a caracteriza como

Um verdadeiro universo de individualidade; suas ações, seus motivos, seus sentimentos constituem paradigma único [...] modelado por uma fantástica constelação de neurônios que jamais se duplica de forma inteiramente igual em pessoas diferentes, cada um é portador de um código biológico, uma história particular de vida e um volume imenso de circunstâncias que evoluíram e evoluem de forma dinâmica



Portanto é admissível que dentro deste enorme mundo de ideais, histórias, culturas, pensamentos e sentimentos ímpares haja alguns problemas, principalmente devido às divergências de opiniões.
Muitos profissionais da educação têm buscado incessantemente o reconhecimento profissional. E, se isso não ocorre nos mais altos patamares educacionais, é bem provável que ele o busque nas extremidades da própria instituição onde trabalha. Com isso este profissional tenta fazer sempre o melhor e se torna mais presente, ou seja, mais atuante. Diante dessa perspectiva esse profissional se torna alvo de muitas críticas por parte daqueles que preferem se conformar com tudo que lhe é imposto.
Existem, no meio educacional, pessoas que preferem acreditar que a educação não tem jeito, que a família não está disposta a ajudar, que os governantes não vão enxergar as ações e assim acabam acomodados, apenas olhando o tempo passar, esperando a hora de serem afastados de seus cargos. E ainda acreditam que exerceram seus papeis com dignidade.
Mas tem também aqueles que preferem lutar com todas as suas forças para fazer a diferença dentro do sistema. São aqueles que acreditam que tudo é possível se houver empenho de todos. Estes são muitas vezes taxados de prepotentes e arrogantes.
Na tentativa de mostrar quem está com a razão, esses profissionais acabam entrando em conflitos, no entanto, quando o assunto é entre pessoas que têm certo nível de conhecimento, os conflitos não chegam a se tornar problemas maiores.
Outro tipo de conflito presente e mais freqüente nas escolas é gerado pelos alunos. Este sim é um tipo que causa muita discussão entre os profissionais da área educacional e social, principalmente por ser uma das principais causas da violência escolar.
Os gerados entre alunos e alunos vão desde um simples desentendimento até problemas mais graves de violência, como é retratado diariamente nos noticiários. Outros entre alunos e profissionais também causa preocupação entre os envolvidos. Segundo Abramovay (2005, p. 4)

Cada vez mais, tem se constatado que as escolas – espaços propícios aos processos de socialização e integração social – vêm tendo que administrar os conflitos gerados por diferentes formas de violência. Nas escolas, identifica-se que os episódios violentos que ocorrem não se restringem aos crimes e delitos previstos no Código Penal, mas abrangem dimensões do cotidiano e dos relacionamentos sociais entre alunos, professores, diretores, pais e demais adultos que participam da comunidade escolar. Ou seja, nos estabelecimentos de ensino, a violência não é vivenciada apenas como atos de agressividade, e sim como o modo habitual e cotidiano de relacionamento, de tratamento do outro.


De acordo com essa idéia fica clara a dificuldade da escola em assumir um lugar de proporção de desenvolvimento humano e social. O que antes era um lugar de socialização entre indivíduos que buscavam juntos seu crescimento social, profissional e intelectual, aos poucos vem se transformando em um campo de batalhas, onde cada indivíduo procura agir de acordo com suas próprias convicções.
Existem varias razoes que são apontadas como sendo responsáveis pelos conflitos escolares. Para Ana Paula Corti, uma das faces mais significativas deste processo é a diminuição do controle adulto sobre a situação educativa, e até mesmo a dificuldade dos professores em estabelecer relações com seus alunos. Para Corti (2005,p.20)

Uma das decorrências disso é a ausência de uma relação intergeracional de cunho socializador entre professor e aluno. A dimensão dos relacionamentos e do comportamento desaparece do horizonte de preocupações dos professores especialistas a partir da 5ª série. Mais preocupados com os conteúdos específicos, julgam que a socialização dos estudantes já foi completada, e que o papel de aluno já foi interiorizado. Mas isso não se observa .

Essa preocupação em repassar os conteúdos curriculares acaba fazendo com que os professores esqueçam que seu papel é antes de tudo social. Essa deve ser a sua maior preocupação: a sociabilidade do aluno. Ainda ressaltando a perspectiva de Corti (2005, p. 20)

Quando são deixados sob a influência de seus próprios padrões de interação e sociabilidade, os adolescentes dificilmente conseguem, sozinhos, superá-los. Nesse sentido, parece flagrante uma certa omissão do mundo adulto e das autoridades escolares diante do universo relacional dos estudantes. Os adolescentes são obrigados a gerir sua entrada no mundo social, e no mundo das interações escolares, com maior autonomia, e uma das expressões das dificuldades em levar a cabo esta tarefa consiste, justamente, na agressividade que se observa entre eles.

O problema maior é que muitos desses pequenos conflitos acabam se transformando em atos de violência. O que fica difícil de compreender é a razão que leva um aluno a desenvolver certo tipo de comportamento tão anti-social.
O que faz com que um aluno exerça violência? Muitas vezes a raiz do problema não está centrado na educação. O que vem ocorrendo é que na concepção de inclusão que se tem hoje as escolas estão assumindo um papel bem mais abrangente do que a sua competência permite, ou seja, o jovem apresenta problemas que deveriam ser direcionados para a saúde mental infantil e adolescente, para a proteção social ou até judicial, mas é nas escolas que eles devem ser inseridos para uma possível integração social. Acontece que as instituições de ensino público não estão preparadas para essa competência.
Na verdade, a partir do momento em que a escola é vista pelos alunos como uma forma de imposição por parte da família e do Estado. As aulas são para eles locais de constrangimento e de repressão de desejos. Alguns alunos conformam-se e conseguem permanecer na escola sem fazerem grandes distúrbios. Outros se revoltam, colocando em causa as regras estabelecidas, voltam-se contra os professores e colegas como ato de poder e tentam a todo custo mostrar que são o centro da sociedade.
No passado, e até mesmo nos dias de hoje,pode-se registrar casos de alunos com menos capacidades intelectuais que são estigmatizados, esquecidos no fundo das salas de aula. Com isso, criam-se focos de revolta por parte daqueles que legitimamente se sentem marginalizados. A escola de hoje, que se auto-intitula de inclusiva, não o é de fato. Desta forma, o fenômeno passa a ser institucionalizado, comum, banalizado, caracterizando formas de agressão que, muitas vezes, são invisíveis aos olhos da comunidade escolar, mas que, apesar disso, podem ferir profundamente aquele que é vitimado, contribuindo para o surgimento de um sentimento de insegurança e impotência no ambiente escolar.
Não é fácil apontar causas dessa indisciplina. Quanto a isso as opiniões são várias. Enquanto uns afirmam ser familiares, outros defendem que são de ordem social e educacional. Mas é fato certo que ela gera conflitos em qualquer setor social: família, escola e comunidade.
Muitos alunos que são vitimas de algum tipo de violência escolar se sente coagido, perde o foco pelos estudos e muitas vezes até desistem de estudar. Isso quando não se transformam em pessoas também, violentas e passam a agir de acordo com aquilo que sofreram.
No livro Violências nas Escolas, lançado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2002, demonstra-se que, além dos danos físicos, traumas, sentimentos de medo e insegurança que prejudicam o desenvolvimento pessoal dos alunos, a violência impõe graves conseqüências para o desempenho escolar dos estudantes que, diante de um contexto de vulnerabilidade e insegurança, apresentam dificuldade de concentração nos estudos e se sentem desestimulados a comparecer às aulas, alimentando situações que favorecem o absenteísmo, a reprovação, a repetência e o abandono escolar, os quais configuram o que se conhece por fracasso escolar. Segundo Tiba (1996, p.173) “O maior estímulo pata ter disciplina é o desejo de atingir um objetivo”.
Em termos operativos e sociais, o comportamento de qualquer cidadão deve estar baseado pelo menos em cinco princípios: Gratidão, Disciplina, Religiosidade, Cidadania e Ética. Estes valores devem estar presentes nos processos educativos familiares e escolares.
A questão é como agir diante dos conflitos gerados. Se a própria família às vezes perde o controle da situação, imagine um profissional que, na maioria dos casos não recebeu nenhuma preparação profissional ou psicológica para tal. Alem do mais os professores, diretores e coordenadores escolares, por mais que conheçam sua clientela, não conseguem dar conta de tanta pluralidade.
Alguns estudiosos apontam algumas soluções para que os gestores escolares consigam lidar com as situações conflitantes, no entanto cada situação tem uma especificidade e uma idéia bem sucedida em uma pode se transformar em um desastre em outra. É necessário encarar este desafio como uma utopia, como uma possibilidade de mudança em que a busca e o diálogo estimulem a capacidade reflexiva e a construção de uma visão plural do conhecimento.
O que se torna imperativo é fazer com que a escola volte a ser um espaço protegido, onde se possa acionar o comprometimento social e incentivar formas de sociabilidade pautadas pelo respeito e pela solidariedade, tornando-a um lócus privilegiado para o desenvolvimento de programas preventivos, em função do seu potencial estratégico para tecer relações com a comunidade e,especialmente, com a família, e também para concretizar ações que se pautem pela prevenção e pela solução não-violenta dos conflitos, defendendo, como valores necessários, a tolerância e a solidariedade, por meio de um instrumento extremamente poderoso: o diálogo.

4     COMO LIDAR COM OS CONFLITOS NO CONTEXTO DA GESTÃO ESCOLAR DA ESCOLA JOÃO AMARO DE SOUZA

A escola João Amaro de Sousa fica localizada no distrito de Salitre, município de Canindé, Ceará. Além de atender o nível fundamental de ensino, ela também funciona como uma extensão da Escola Estadual Paulo Sarasate, no turno da noite, atendendo aos alunos de ensino médio. Sua missão, de acordo com o Projeto Político Pedagógico (PPP, 2011) é

Garantir educação básica para todos com a colaboração daqueles que fazem parte das comunidades escolar e local. Criando e fortalecendo parcerias para o pleno desenvolvimento cognitivo do educando na proposta didático-pedagógica voltada para o cotidiano do cidadão.

O grupo gestor da escola João Amaro de Souza é formado por uma diretora, uma coordenadora pedagógica e um coordenador de apoio.
Na Lei nº 2.069/2008, de 24 de novembro de 2008, que institui Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos Profissionais do Magistério Público da Educação Básica (PPCR/MAG), dispõe que,
 “A Direção Escolar e a Coordenação Pedagógica terão seus representantes nomeados pelo(a) Prefeito(a) Municipal, para o Cargo em Comissão por um período de 03 (três) anos”. Em outro artigo da mesma lei está estabelecido que o processo de escolha e indicação para o provimento do Cargo em Comissão de Diretor(a) junto às Escolas Públicas Municipais, será realizado em duas etapas. Na primeira o candidato terá que passar por uma prova escrita, apresentar um plano de gestão, apresentar os títulos exigidos para assumir o cargo e passar por uma entrevista. Nesta fase serão somados os pontos e o candidato terá que obter pelo menos 60% da pontuação total. “A segunda fase consistirá de Eleição direta e secreta, mediante sufrágio universal, junto à Comunidade Escolar” (grifo nosso)

A seleção para o cargo de coordenador (a) pedagógico (a), conforme a lei deverá ser feita em uma única etapa, onde será considerada a nota obtida no conjunto: prova escrita, prova de títulos e entrevista.
 Prova .
Mesmo assim, vale ressaltar que a gestão escolar da João Amaro tem uma certa autonomia para atuar dentro da unidade. Tanto é que o grupo age de forma conjunta com os demais funcionários, professores e corpo administrativo na tentativa de oferecer uma educação de qualidade para as pessoas desta comunidade.
Embora seja uma escola da zona rural, a escola em questão tem enfrentado alguns problemas conflitantes, principalmente relacionados ao uso de drogas. Esses problemas são mais de cunho social, mas, sendo a escola o único órgão governamental que tem autonomia para lidar com essas questões dentro da comunidade, fica com a incumbência de tentar amenizar a situação.
Algumas estratégias de gerir conflitos apresentadas por estudiosos, suas vantagens e desvantagens serão apresentadas a seguir.
Uma delas é não entrar na divergência e evitar a todo o custo a confrontação. A principal vantagem deste tipo de estratégia e o ganho de tempo para resolver a situação. A desvantagem é que se trata de uma solução provisória que não ataca o problema diretamente. Quando o problema é trivial e impossível de concretizar os interesses de ambas as partes é uma estratégia a ter em consideração.
A acomodação também é uma estratégia de gestão de conflito com a vantagem de propiciar cooperação futura, mas a desvantagem consiste no poder ocorrer o fracasso em lidar com o problema subjacente. Um exemplo em que este tipo de estratégia é apropriado é quando existe o receio de a outra parte não ter uma ação ética.
Uma outra estratégia muito conhecida é a competição/dominação, onde o próprio nome da estratégia define o tipo de comportamento. A vantagem deste tipo de atitude é que pode estimular a criatividade, a rapidez e energizar as pessoas. A grande desvantagem é que cria ressentimentos da outra parte interveniente, o que pode dificultar negociações futuras. Este tipo de estratégia não é aconselhável em ambientes abertos e participativos e quando o assunto é complexo. No entanto é adequado quando uma decisão que não agrada ambas as partes tem de ser tomada e o prazo limite de tempo está a expirar.
O compromisso permite soluções rápidas não gerando perdedores em ambas as partes. Por norma, com este tipo de estratégia, nenhuma das partes fica satisfeita ocorrendo o abafamento de idéias criativas para os problemas. Essa estratégia torna-se apropriada quando ambas as partes intervenientes detêm poderes equilibrados e quando é necessária uma solução temporária para um problema complexo. É desaconselhável quando a questão a ser resolvida necessita de uma abordagem colaborativa.
Outra estratégia de gestão de conflitos é a colaboração. Neste tipo de situação, vai acontecer ambas as partes lidarem com os problemas e não com os sintomas. Vão lidar com interesses e não posições, o que é uma vantagem da colaboração. O único inconveniente a salientar é o tempo excessivo que é necessário neste tipo de situações. Quando se tem de tomar uma decisão em longo prazo e os assuntos são complicados é uma estratégia adequada, mas se o tempo é escasso e a outra parte atua de um modo competitivo é uma estratégia a não ter em consideração.
Trazendo essas estratégias para dentro das escolas, onde as situações devem ser solucionadas rapidamente para não gerarem problemas de maior proporção, fica clara a necessidade de atuação de um grupo que realmente atue de forma clara, rápida e firme. A construção de um clima escolar positivo e o enfrentamento das violências não é uma tarefa simples. A violência é, provavelmente, o fenômeno mais complexo com o qual a humanidade se defronta. Seu enfrentamento exige contínuas ações integradas a distintas estratégias, pois cada escola, cada ser humano é, e sempre será, conforme Antunes (2003, p.10)

Um verdadeiro universo de individualidade; suas ações, seus motivos, seus sentimentos constituem paradigma único [...] modelado por uma fantástica constelação de neurônios que jamais se duplica de forma inteiramente igual em pessoas diferentes, cada um é portador de um código biológico, uma história particular de vida e um volume imenso de circunstâncias que evoluíram e evoluem de forma dinâmica.

Portanto embora os conflitos possam ser resolvidos pelas partes envolvidas, ainda assim é necessária a intervenção do gerente, principalmente quando se torna obvia a não administração por parte dos envolvidos. Porém precisa-se fazer a análise dessa necessidade, saber qual o tipo de intervenção apropriada para cada caso e como se deve intervir, ou seja, que recursos deverão ser empregados.
O gestor não pode ser visto como aliado de nenhuma das partes. Não cabe a ele o ato de julgar e sim de facilitar, mediar e conciliar, portanto é preciso que ele se mantenha na sua imparcialidade.
 Na escola pesquisada o grupo gestor procura agir de forma consciente na intervenção de conflitos. Sendo gerados entre funcionários, busca-se promover o diálogo entre as partes e quase sempre a situação é resolvida.
Quando o conflito é entre alunos e funcionários, o que se torna mais grave, diretora e coordenadora usam as normas definidas no Regimento Interno da escola para aplicar as sanções estabelecidas. Isso só é feito após a tentativa de diálogo e resolução por parte dos funcionários. Quando o problema persiste é preciso tomar medidas mais ordeiras. Somente nos casos mais extremos, onde há riscos para qualquer um dos envolvidos, busca-se uma solução externa.
No entanto, ao se tratar de conflitos entre os próprios alunos a situação foge ao controle do grupo gestor, principalmente porque na maioria dos casos o problema tem razoes externas. Muitos alunos vivenciam diariamente esse tipo de transtorno, às vezes dentro da própria casa. Com isso eles já chegam à escola com certa revolta e tudo se torna muito constante em sua vida. Às vezes até uma brincadeira costumeira pode propiciar desentendimento e até atos violentos.
Nesses casos o grupo gestor busca, juntamente com a família, resolver a situação. Porem isso nem sempre é possível, principalmente quando se trata de adolescentes que acreditam já ter o domínio de tudo. Quando não acontece o entendimento é necessário recorrer a outros órgãos, como o Conselho Tutelar e, em casos mais complexos, recorre-se à Promotoria Pública. Portanto para facilitar a gestão do conflito, o gestor deverá procurar soluções construtivas e não se identificar demasiadamente com o conflito em curso, deverá saber escolher estratégias de resolução para cada caso e, acima de tudo, deverá ter a consciência do que não sabe, procurando formação adequada na gestão de conflito, se de tal sentir necessidade.





5     PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

[...] não é possível supor a escola como uma instituição independente ou autônoma em relação ao contexto sócio-histórico, não se pode supor que haja um espelhamento imediato entre ela e suas instituições vizinhas. Isso porque não se pode admitir que o cotidiano escolar seja marionete (e seus protagonistas, reféns) das imposições externas. (AQUINO, 2003, p. 40).


Levando-se em consideração à formulação do problema, seu objetivo geral e os específicos, bem como a fundamentação teórica, são disponibilizados os aspectos metodológicos da pesquisa. Este trabalho pode ser caracterizado como uma pesquisa qualitativa e quantitativa, por proporcionar um relacionamento mais longo e flexível entre o pesquisador e os entrevistados. Com o objetivo de responder aos questionamentos e formalizar a coleta de dados, optou-se pela utilização de questionários de entrevista, onde um grupo selecionado entre funcionários, professores e pais foi escolhido aleatoriamente, por meio de sorteio, para a resolução dos mesmos.
O objetivo central da opção pelo questionário foi identificar sentimentos, atitudes e ideias dos participantes, a respeito de um determinado assunto: a convivência escolar. Sob o ponto de vista dos participantes, a reunião foi completamente flexível e bem estruturada, dando margem à discussão proposta. Entretanto, sob a perspectiva do pesquisador houve um planejamento sobre o que deveria ser discutido com base nos objetivos propostos.
O “roteiro de debate” (apêndices B, C, D e E) foi o parâmetro utilizado pelo pesquisador para conduzir o grupo entrevistado, servindo apenas como meio de orientação.
Foram convidados 04 professores que atuam na escola, nas séries finais do Ensino Fundamental, selecionados aleatoriamente com base no interesse em discutir o assunto sobre a convivência escolar e a resolução de conflitos entre alunos e entre professores e alunos.
Formou-se ainda um grupo com 04 alunos, 04 servidores, 04 pais e 02 funcionários do corpo administrativo, (Digitador e agente administrativa).
A .

5.1 Caracterização da escola

A escola João Amaro de Souza fica localizada na Avenida José Geovane Amaro Camelo, S/N, Salitre, Canindé, Ceará.
A escola dispõe de 04 salas de aula, 01 biblioteca, 01 laboratório de informática, 01 secretaria, 01 sala de recepção, 01 cantina, 01 despensa, 01 almoxarifado, 04 banheiros, sendo um deles adaptado para o atendimento a pessoas portadoras de deficiência física e um pátio amplo. Nas dependências da escola tem uma quadra poliesportiva que atende não só aos alunos como também a comunidade em geral.
Em 2010 a escola recebeu um recurso de Acessibilidade do Governo Federal para fazer adaptações para o atendimento educacional aos portadores de Necessidades Educativas Especiais (NEE). Com o recurso foi possível aumentar a largura das portas, fazer rampas de acesso e adaptar um dos banheiros. Os educandos com NEE são atendidos nos turnos e salas regulares e recebem atendimento especializado no contra-turno de suas aulas. Apesar de não ter uma sala para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), foi feito uma divisão da biblioteca em três compartimentos: um para a sala de AEE, um para aulas de reforço escolar e outro para atividades de leitura.
A escola funciona em quatro turnos: de 07:00 a 10:50 (manhã), de 11:00 a 14:50 (intermediário), de 15:00 a 18:50 (tarde) e de 19:00 a 22:00 (noite). Os alunos matriculados na própria escola são atendidos nos três primeiros turnos e à noite a escola é cedida à escola Estadual Paulo Sarazate, que tem sua sede na cidade de Canindé e tem anexos em diversas comunidades rurais para atendimento aos alunos do Ensino Médio. Essa organização dos turnos se deu após a cobertura da escola pelo Programa Mais Educação, no ano de 2011.
O número de alunos matriculados na escola João Amaro de Souza em 2012 foi de 201 alunos, distribuídos da seguinte forma: 28 alunos do 3º ano, 33 alunos de 4º ano, 35 alunos de 5º ano, 26 alunos de 6º ano, 27 alunos de 7º ano, 20 alunos de 8º ano, 17 alunos de 9º ano e 15 alunos de EJA 3ª etapa (6º e 7º ano), num total de 201 alunos.
Os alunos do Ensino Fundamental que moram longe da escola, geralmente em assentamentos rurais e fazendas vizinhas, são atendidos pelo Programa de Transporte Escolar, onde um ônibus mantido pela Secretaria de Transportes do Município faz o transporte desses alunos. Já os alunos do Ensino Médio são transportados por carros pau-de-arara, que não oferecem as mínimas condições de segurança. Apesar disso o ensino médio rural é visto como um grande marco nas comunidades do município de Canindé, pois até bem pouco tempo os alunos que concluíam o ensino fundamental tinham que se deslocar até a sede municipal para concluírem a educação básica.
A clientela atendida na escola em questão é bem mista. Tem alunos com deficiência intelectual, auditiva, física e outras, alem de usuários de drogas e com problemas de indisciplina. Esses alunos são, na maioria dos casos, excluídos da sociedade e encontram na escola o único abrigo onde possam ser acolhidos, respeitados e porque não dizer, amados. Muitas vezes os próprios funcionários da escola são preconceituosos em relação a esses alunos. Quando isso é percebido são tomadas providencias pela direção da escola no sentido de coibir qualquer ato desta natureza.
No ano de 2011 a escola João Amaro recebeu um novo quadro de funcionários devido a um concurso público ocorrido no município. Atualmente a escola conta com 06 professores concursados, sendo 02 efetivos, além de 07 professores contratados; 06 auxiliares de serviços gerais, 04 porteiros, 03 vigias, 01 secretária, 02 auxiliares de secretaria e 01 monitor de artes. Os funcionários da escola são, em sua maioria, ex-alunos da própria escola.
Um professor formado em Matemática assumiu a coordenação do Programa Mais Educação em 2012 e outra professora assumiu a turma de AEE desde 2011.
O grupo gestor da escola é formado por uma diretora, uma coordenadora pedagógica e um coordenador de apoio. Todas as decisões referentes ao funcionamento da instituição são tomadas em conjunto, porém no referente ao contrato e atuação de profissionais dentro da escola as decisões cabem aos líderes políticos da comunidade. Isso quer dizer que os professores e funcionários contratados não foram indicados pelo grupo gestor e não cabe a ele fazer interferências nesse processo.
Apesar de ser uma escola da zona rural, a escola João Amaro apresenta um quadro de profissionais à altura dos profissionais das grandes cidades, pois alem da formação, são profissionais realmente compromissados com a educação e com a comunidade na qual atuam.

5.2 Sujeitos da pesquisa

A entrevista foi realizada com a diretora da escola, 03 professores, 03 auxiliares de serviços gerais, 02 agentes administrativos e 10 alunos. Para a seleção foi realizado um sorteio. Em relação aos alunos, só foram escolhidas aqueles que fazem parte Ensino Fundamental II, por esse o maior foco de conflitos existentes na escola.
Os professores da escola em questão, a exemplo dos professores do município de Canindé, trabalham no sistema de 27 horas, ou seja, professores com carga horária semanal de 40 horas têm a seguinte distribuição: 27 horas de regência em sala de aula, 02 horas destinadas ao planejamento, 06 horas de atividade coletiva e 05 horas de locais livres. Nas suas atividades coletivas o professor deve permanecer na escola, realizando estudos e pesquisas para melhorar sua técnica e tornar as aulas mais produtivas. Já nos locais livres ele pode realizar qualquer atividade que julgar necessária à sua prática educativa, seja dentro ou fora da escola. Alguns profissionais usam seus locais livres para participarem de cursos de formação e outros estudos para auxiliar no seu currículo.

 6             APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

Quando as pessoas pensam que o conflito é inevitável, e o acordo, impossível, seu comportamento variará desde a passividade até a extrema atividade. Se a importância for baixa, tenderão a ser passivas e dispostas a deixar que a sorte decida (como numa aposta de cara ou coroa) o conflito. Se a importância dada for moderada, deixarão que o conflito seja decidido por um julgamento de terceiros. E, finalmente, se a importância for alta, empenhar-se-ão ativamente num confronto de ganha ou perde, ou de luta pelo poder. (HERSEY e BLANCHARD, 1986, p. 356).

6.1  O ponto de vista dos alunos
Dois alunos consideram que a sua escola valoriza o bom relacionamento entre alunos e entre alunos e professores. Eles observaram que a maioria dos alunos raramente se envolve com agressões físicas, pois quase a totalidade afirma nunca ter sofrido esse tipo de ocorrência, salvo empurrões, sofridos principalmente pelos mais jovens e mais novos na escola. Entretanto, são bem mais frequentes as agressões verbais, como insultos, exposição ao ridículo com apelidos, difamação, rejeição e isolamento.
Cinquenta por cento dos alunos consideram que existem muitos conflitos na escola e que muitas vezes se transformam em brigas violentas.
Os pontos negativos encontrados pelos entrevistados foram que alguns casos ocorrem também entre professores e alunos e não somente entre eles. Segundo os alunos, o furto ou danificação de pertences também é frequente devido à falta de trancas nas portas.
Complementando os dados sobre a percepção de aumento na incidência de conflitos, verifica-se que quase a metade dos alunos considera que a relação entre alunos e alguns professores é difícil. A proporção de alunos que relata ter sofrido agressão, mesmo que verbal, da parte do professor é significativa. As principais queixas de agressão perpetrada pelos professores consistem em ser insultado, ridicularizado ou desprezado.
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6.2         O ponto de vista da diretora da escola

Como educador, devo estar constantemente advertido com relação a este respeito que implica igualmente o que devo ter por mim mesmo. ...o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros (FREIRE,1996, p. 59).

A escola é feita de momentos, sendo que a forma que ela assume em cada situação é sempre o resultado provisório do movimento permanente de transformação, pressupondo tensões, conflitos, esperanças e busca por propostas alternativas.É provável que muitas vezes nos preparemos para uma forma de trabalho em que as famílias não compreendam de imediato, por isso não respeitam as normas e as decisões tomadas. Enquanto temos que ter uma visão mais ampla do contexto em que se dá a educação atualmente, onde a família não tem mais os preceitos de responsabilidade pela educação dos filhos.
Hoje a nossa missão enquanto educadores é buscar uma escola democrática visando uma a qualidade educacional, com professores graduados, dentro de suas áreas e satisfeitos com seu trabalho. Para iniciarmos um processo de implantação de uma gestão democrática dentro da escola é necessário que a tomada de decisões seja em conjunto, onde a comunidade escolar como um todo possa participar ativamente.
O ponto positivo encontrado na pesquisa é a credibilidade dos educadores no compromisso com a aprendizagem dos alunos, resolvendo tudo através de reuniões, de forma democrática. Alem disso a confiança que eles têm na gestão da escola João Amaro é um fator contribuinte nesse processo.
Na coleta de dados um dos pontos negativos apontados por alguns professores foi a dificuldade das famílias de aceitarem as normas da escola. Uma justificativa para essa situação é que em gestões anteriores os pais reclamavam dos professores e eram feitas mudanças sem que os profissionais fossem comunicados previamente. Outra situação apontada como sendo uma dificuldade para execução de um bom trabalho pela equipe de gestão é que as mães não gostam de acordar cedo, por isso querem escolher os horários dos filhos estudarem, sem uma preocupação com o aprendizado. Em relação a isso a gestão atual busca mostrar para os pais que alguns procedimentos como escolha de horários é uma adequação ao próprio estabelecimento, e que se deve levar em conta o número de salas disponíveis (04), a idade dos alunos e, principalmente, o processo de ensino-aprendizagem. Conforme Abramovay (2005,p.3).

A violência é um fenômeno que vem tendo destaque cada vez maior no mundo contemporâneo, sendo cotidianamente discutido, o que leva à necessidade de se analisar o contexto em que ele se inscreve. É necessário, principalmente, discutir as práticas individuais e coletivas nas quais este fenômeno tem lugar e o conjunto de normas de convivência instituídas que lhe são subjacentes, uma vez que a violência é ressignificada segundo tempos, lugares, relações e percepções, e não se dá somente em atos e práticas materiais.



6.3         O ponto de vista dos auxiliares de serviços
Os profissionais afirmaram sentir-se desvalorizados na escola e alegaram que só eram reconhecidos quando eram chamados para trabalhar, muitas vezes eram chamados na secretaria para receberem reclamações. No entanto esta situação já tem melhorado. Eles afirmam que hoje eles já são ouvidos e com isso se sentem mais próximos do núcleo gestor.
Toda coleta foi baseado com entrevistas onde o questionamento foi convivência, organização de trabalho e valorização profissional. Porém, a forma de organização de gastos e aplicação de verba oriundas dos programas como o PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), também foi citado pelos profissionais. Segundo eles, a falta de espaço para guardar o material comprado com esse dinheiro sempre foi um grande problema, no entanto essa questão não é meramente da direção, mas dos governantes, que são os responsáveis por distribuir os recursos para construções e ampliação dos prédios escolares. Mesmo assim, a diretora tenta buscar sempre uma maneira de levar as reivindicações até os órgãos competentes, no sentido de solucionar os problemas existentes.
Eles destacaram como ponto positivo as reuniões que são feitas cotidianamente. Sempre que surge um problema na escola os funcionários são convocados para buscar, em conjunto,uma solução para o mesmo. Essa técnica é interessante, pois promove a participação e a troca de ideias, tornando o trabalho mais eficaz.
Os funcionários entrevistados afirmaram ainda que os conflitos entre eles existem, às vezes, afinal a diferença entre opiniões faz com que alguns tenham dificuldade de ceder, mas que isso nunca chegou ao extremo. Até mesmo porque são pessoas maduras e capazes de resolver seus próprios conflitos. Raramente necessita da intervenção da direção, mas se for o caso, ambas as partes são chamadas e o assunto é discutido até que haja um acordo.  Diz Almeida (2001,p.85)    

Para Wallon, os conflitos são essenciais ao desenvolvimento da personalidade. O conflito faz parte da natureza, da vida das espécies, porque somente ele é capaz de romper estruturas prefixadas , limites predefinidos. O conflito atinge os planos sociais, morais, intelectuais e orgânicos.


6.4          O ponto de vista dos professores
O ponto positivo apontado pelos professores, relacionado à escola João Amaro e, consequentemente à gestão, é o espaço aberto pra diálogos.
Sabe-se que no meio educacional sempre irão existir pessoa mais compromissadas, que procuram oferecer um ensino de qualidade, e que estão realmente preocupados com a aprendizagem. Mas teremos também profissionais descompromissados e que usam a educação apenas como mais uma fonte de renda, esquecendo-se do papel social que ela representa.
Uma preocupação apontada pelos professores entrevistados foi a busca de estratégias para melhorar a aprendizagem e diminuir o índice de reprovação. Uma sugestão para o ano de 2012 é uma forma de trazer os pais para a sala de aula e mostrando a importância do cumprimento de papeis de cada seguimento: Família, Estado e Escola.
Os professores falaram que os pais estão se afastando da escola por causa das inúmeras reclamações que ouviam, ou seja, a escola só os convocam quando surge algum problema. Para sanar esse tipo de transtorno foi apontada a necessidade de trazer os pais não para reclamar, mas sim para apresentar as estratégias de trabalho, os resultados positivos alcançados pelos alunos e a importância da família no processo educativo como um todo.
Um ponto negativo, segundo os professores,é a ausência dos valores morais nos alunos, apontado como sendo o principal motivo dos conflitos gerados na escola. Está acontecendo um certo distanciamento entre o que a escola deve oferecer e o que a família quer que ela ofereça. Enquanto o papel da escola é o de formar cidadãos críticos, capazes de progredir profissional e pessoalmente, a família vê a escola como um ponto de escape.Hoje o que percebemos são pais que querem que os filhos passem o dia na escola, independente do que está sendo oferecido. Diante disso é jogada a responsabilidade da vida do aluno para a escola e para os professores.
Muitos professores sofreram e ainda sofrem com o desrespeito não só por parte dos alunos, mas também com a falta de apoio da família na resolução de conflitos. Relacionado ao convívio profissional o que se percebe é que o grupo consegue interagir e respeitar-se, buscando cumprir seu papel com ética. Isso promove um equilíbrio entre o profissional e o pessoal.
A falta de acompanhamento pedagógico e de espaço para acontecer os projetos que chegam à escola também foi citado pelos professores como sendo um fator negativo na escola em questão.

CONCLUSÃO
Diante do que foi apresentado, podemos considerar, dentro da moralidade e da ética que envolve o processo educativo e, principalmente, no referente ao papel primordial do diretor e coordenador escolar a clareza de uma ação desfocada daquilo que se espera de um verdadeiro líder.
Concluímos o presente estudo com a esperança de que esse trabalho seja uma oportunidade de conhecimento das causas aqui apresentadas, bem como uma forma de repensar o papel de uma gestão baseada nos princípios da democracia.
O estudo efetuado mostrou que não há um único modelo de gestão democrática a ser adotado ou aplicado, nem uma maneira certa ou errada de dirigir uma escola, porque os interesses são distintos, dependendo da comunidade local das suas perspectivas e dos interesses dos envolvidos. O que se pretende, na verdade, é que o gestor escolar busque meios para solucionar os impedimentos entre a teoria e a prática, repensando a sua maneira de administrar, se questionando quanto às tomadas de decisões, se estas estão atendendo as necessidades da comunidade, partindo dele a atitude de trabalho cooperativo ou coletivo, respeitando as opiniões dos participantes do processo educativo.
Buscamos ainda oferecer os conhecimentos básicos de algumas das estratégias para uma eficaz gestão dos conflitos num contexto organizacional.
Já vimos como as atitudes das pessoas podem prejudicar qualquer resolução construtiva dos problemas, podendo mesmo dimensionar o lado destruidor do conflito. No entanto, uma cultura organizacional demasiado rígida e hierárquica pode igualmente dificultar a gestão do conflito.
Não pretendemos aqui dizer que a melhor forma de gerir os conflitos é esta ou aquela, mas que não se deve achar que só porque eles são inevitáveis devemos deixá-los a mercê do descaso. É função dos gestores escolares intervirem sempre que necessário, de forma justa e sábia.
Portanto, diante dos fatos aqui apresentados, vale salientar que o modelo de gestão também tem influência direta na resolução de determinados problemas. O modelo atual de indicação não é o ideal, pois faz com que os diretores acabem se posicionando contra a sua ética profissional para seguirem uma ideologia (política) que não é sua e que muitas vezes tomam proporções fora dos ideais defendidos pela educação.
              É preciso que o grupo gestor de qualquer instituição de ensino seja realmente democrático. Quando isso é atendido rigorosamente desde a sua seleção fica bem mais fácil tomar posições diante de situações conflituosas e o seu papel pode ser mais bem executado.
REFERÊNCIAS

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ANTUNES, Celso. Relações interpessoais e auto-estima: a sala de aula como um espaço decrescimento integral. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

AQUINO, Júlio Groppa. Indisciplina: O Contraponto das escolas democráticas.São Paulo: Ed.Moderna, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

______ Pedagogia do oprimido. Editora Paz e Terra 1970, 23ª Edição, 1996.

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HERSEY, Paul e BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para administradores: a teoria e as técnicas da liderança situacional. São Paulo: EPU, 1986.

LÜCK, Heloísa. A gestão participativa na escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. Série: Caderno de gestão.

PRIOLLI, Julia. Quando o diretor se torna um gestor. Revista Nova Escola, Edição Especial, nº 1.PP. 6-9. São Paulo: Editora Abril, agosto/2008.

PRUITT, D. G., & RUBIN, J. Z. Social conflict: escalation, stalemate, and settlement. New York: Random House, 1986

TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo, Editora Gente, 1996.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula e na escola. São Paulo, Editora Liberdade, 2000.

VIEIRA, Clara. Gestão Democrática: novas pessoas, mesmo papel. Revista Nova Escola, ano XXN, nº 234. São Paulo: Editora Abril, agosto/2010.

VINHA, Telma P. Valores Morais em Construção. Revista AMAE-Educando, nº 285,agosto, pp.6-12. Belo Horizonte: Fundação Amae para a Educação e Cultura, 1999


 APÊNDICES
APÊNDICE A: RELATÓRIO DE COLETA DE DADOS

No dia 06 de fevereiro de 2012, nos reunimos na escola João Amaro de Souza, para fazer uma organização de trabalho. Estavam presentes os auxiliares de serviços dos turnos manhã, tarde e noite, para que buscássemos uma forma de trabalho capaz de atender às necessidades da escola e consequentemente da comunidade escolar.
Para não haver nenhum conflito e desentendimento, iniciei conversando sobre o calendário escolar e sobre os sábados letivos. A servidora Maria Amaro Martins disse que elas tinham consciência de como seria, porém reclamaram que no ano anterior elas teriam cumprido os horários e as outras não. Chegamos a um acordo em que nesse ano de 2012 todas trabalhariam por igual, nenhuma a mais e nenhuma a menos.
Também ficou acertado que no momento que houvesse uma discórdia entre elas, que as mesmas iriam manter-se calmas e no momento oportuno, quando já se sentissem preparadas psicologicamente,seriam chamadas para buscarem um acordo sensato. Assim ficamos todos satisfeitos com os acordos firmados.
Hoje o maior problema que temos entre os funcionários é eles se preocuparem com os outros, se um trabalha menos ou sai mais cedo. De certa forma, essa tem sido uma preocupação da gestão: manter a igualdade de direitos e deveres entre todos os funcionários. A situação melhorou muito, tento mostrar que eles são muito importantes para a nossa comunidade escolar. Alguns servidores têm muito tempo de serviço prestado e por isso sentem-se nodireito de reclamar com os que não têm tanto tempo assim, existem ainda outros que não possuem um bom convívio fora da escola, outros que têm dificuldades de respeitar regras e que querem passar por cima de tudo.
Logo que assumi a gestão dessa escola eram constantes as brigas dentro da cantina.Existia um caso de constante desrespeito com os alunos, onde uma funcionária xingava e destratava os alunos dentro da escola. Diante dos fatos chamei a servidora e disse a ela qual seria a punição se a família desse parte dela, mas nem por isso ela se convenceu.Isso aumentou ainda mais a minha preocupação e procurei saber o real motivo de tanta revolta. Foi então que soube que ela estava passando por problemas pessoais e, após uma conversa, coloquei-a para trabalhar em outra escola e os problemas foram solucionados.
No dia 08 de fevereiro de 2012, reuni o digitador da escola João Amaro, José Alefe e a agente administrativa Carla Adriele para organizamos como seria a recepção dos alunos, pois muitas vezes nos deparamos com situações de alunos que não querem respeitar, nem seguir as regras da escola e que nem por esse motivo deveriam ser desagradáveis com eles. Os servidores alegaram ter dificuldade porque os alunos não os obedecem. Citaram casos em que os alunos chegam a agir com desrespeito. Essa situação ficou complicada, pois sabemos que hoje muitas famílias não colaboram com a escola, mas ficou decidido que a coordenadora pedagógica, juntamente com os professores, iriam preparar um projeto para se trabalhar os valores morais e a necessidade do respeito com os servidores, com os colegas e as demais pessoas.
Do dia 23 ao dia 27 de janeiro de 2012 estivemos reunidos na escola pólo João Amaro de Souza, eu, o grupo gestor do referido pólo e todos os professores das escolas que fazem parte do mesmo: Saria Cruz da Silva (Salitre), Edite Pinto (Girita), Assis Damasceno (Barragem), Dr. Otavio Facundo (Assentamento Logradouro), Osvaldo Fonseca Coelho (Frios) e também os Centros de Educação Infantil (CEIs) Maria Amaro Camelo (Salitre), e Juvêncio Câmara (Assentamento Logradouro).
Apresentei como seria os trabalhos de 2012, os novos funcionários das escolas, o PPP, o regimento interno da escola, falamos também sobre a convivência, a recepção dos funcionários o respeito e o compromisso que todos devem ter para tornar o ambiente de trabalho mais agradável.
Sabemos que hoje nós somos um grupo e que o ideal é que permaneça assim. Quando se tem uma equipe e alguém decide fazer parte dela é preciso buscar se adequar para não cometer nenhum equívoco.
Fizemos o calendário de eventos da escola e tivemos certo problema quando eu chamei a atenção dos professores que trabalham para o município e o estado ao mesmo tempo e pedi a eles que se dedicassem ao Município como eles se dedicavam no Estado, mas eles se ofenderam e fizeram um certo movimento.  Chamei novamente pra conversar e deixei bem claro que eu exigia apenas a dedicação e que não precisavam ficar chateados. O fato é que vejo que muitos professores desenvolvem um trabalho excelente quando estão prestando serviço para a escola Paulo Sarasate (extensão Salitre), que é um contrato a nível estadual e que deixam a desejar quando estão desempenhando seu papel no âmbito municipal.
Mas o meu maior problema hoje está sendo encaixar cada professor com suas 27 horas, direito garantido pelo Plano de Cargos, Carreira e Rendimentos (PCCR), pois alguns professores que tem 100h no estado e querem 200h no Município precisam de uma flexibilidade de horários para as aulas não se chocarem. Alguns professores têm certa dificuldade em colaborar com as decisões tomadas pela equipe de gestão, às vezes ficam chateados quando solucionados a assumirem seu papel de educador e o compromisso firmado com a equipe. Diante disso chamei a todos e apresentei o Regimento Interno da Escola e mostrei a função de cada um, os seus deveres, os seus direitos e o que é vedado, para que assim pudéssemos trabalhar em grupo.
Tive uma grande demanda de aposentadoria no ano de 2011 e uma já no inicio de 2012, e algumas vezesos novos funcionários sentem dificuldade de adaptação, alguns não gostam de seguir regras e tentam, através de suas ações,impor limites e estabelecer suas próprias leis diante do grupo. Quando isso ocorre é necessário sentarmos novamente e conversarmos sobre o Regimento Interno da Escola.
Alguns professores tentam jogar a comunidade contra a direção da escola, pois sabemos que os pais são muito próximos devido ao fato de sermos todos da mesma comunidade. Em algumasocasiõesprofessores tentam convencer os pais que a responsabilidade pela aprendizagem dos alunos é inteiramente da direção, como ocorreu em uma reunião. Uma professora disse aos pais que existia uma turma muito numerosa e que não tinha rendimento, mas já tinha repassado para a direção da escola e que se os alunos não obtivessem aprovação não era culpa dela, mas da diretora. Os termos usados não convenceram, pois todos sabem que a responsabilidade pela aprendizagem e sucesso dos alunos é de todos e não de uma só pessoa.
Chamamos a professora, conversamos com ela e expliquei qual é o papel do professor na escola e que em vez de buscar culpados pelo fracasso escolar o ideal seria buscar soluções para o problema, pois uma sala numerosa exige uma metodologia ou um conjunto de mecanismos para que o resultado seja positivo. Alem disso foram apresentadas algumas técnicas de ensino que poderiam proporcionar uma melhor aprendizagem e facilitar o trabalho.
Houve um problema entre a comunidade de Barragem, onde fica a escola Assis Damasceno e a localidade de Girita, onde fica a Escola Edite Pinto. Foi detectado que o número de alunos das duas localidades não é suficiente para manter as duas escolas abertas, mas os pais da Barragem não quererem mandar os filhos para a Giritae vice-versa. Os pais da localidade de Girita fizeram um abaixo-assinado e enviaram para a ouvidoria publica de Canindé, para a pessoa do senhor Marcos Coelho. O pedido foi aceito e tomadas as devidas providências para se resolver o caso, já que as crianças não podiam ficar sem estudar.
Sexta-feira, dia 10/02/2012 houve uma convocação por parte das duas localidades para decidirmos o que seria feito. Primeiramente expus o caso falei sobre a ouvidoria, mas os pais da Escola Edite Pinto não quiseram aceitar e acharam melhor mandar para a localidade de logradouro. Foi então que falei o motivo da reunião era para que, juntos, nós resolvêssemos essa situação sem atrito e sem discórdia.
Os pais falaram da preocupação em colocar os filhos no carro do transporte escolar, um pau-de-arara que não oferece a menor segurança, alem disso era muita responsabilidade para o motorista. Eu concordei e solicitei à professora da turma que dividisse essa responsabilidade, mas ela alegou que só ficaria dessa forma se tivesse um aumento nos seus rendimentos e se manteve firme na sua posição. Falou que a aula dela termina 10h40min e que não iria ficar nenhum minuto a mais. Diante dessa posição chamei uma auxiliar de serviços e pedi sua colaboração. Ela prontamente atendeu minha solicitação e dos pais, se comprometendo a vir no carro acompanhando as crianças, ficar os 20 minutos restantes com elas e voltar no carro, entregando-asaos seus pais.Alem disso ela e o motorista foram orientados acolocar as crianças menores na boléia do carro. Dessa forma todos concordaram e ambas as partes ficaram satisfeitas, aceitando que diante de qualquer problema poderíamos nos reunir novamente.




As informações contidas nesse trabalho pertencem a Escola João Amaro de Souza.
APENDICE B: QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PAIS
NOME: __________________________________________ IDADE: ________
ENDEREÇO: ____________________________________________________

01. COMO É A SUA RELAÇÃO COM AS PESSOAS QUE TRABALHAM NA ESCOLA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
02. SE OCORRER UM CONFLITO NA ESCOLA ENVOLVENDO SEU FILHO O QUE VOCÊ FARÁ PARA RESOLVER ?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
03. VOCÊ SE SENTE RESPEITADO DENTRO DA ESCOLA? FALE UM POUCO SOBRE ISSO.
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
04. VOCÊ JÁ ENCONTROU ALGUM OBSTÁCULO QUE O IMPEDISSE DE RESOLVER ALGUMPROBLEMA NA ESCOLA ONDE SEU FIOLHO ESTUDA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
05. VOCÊ ACHA QUE A ESCOLA ATENDE ÀS NECESSIDASDES DO SEU FILHO? COMO?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 APÊNDICE C: QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES
NOME: _________________________________________________
ENDEREÇO: ____________________________________________
SITUAÇÃO FUNCIONAL: (   ) CONTRATADO (   ) EFETIVO (   ) CONCURSADO
TEMPO DE SERVIÇO: __________

01. COMO ESTÁ A SUA CONVIVÊNCIA NA ESCOLA:
COM OS ALUNOS?______________________________________________________
______________________________________________________________________
COM OS PAIS? _________________________________________________________
______________________________________________________________________
COM OS COLEGAS? ____________________________________________________
______________________________________________________________________
COM O GRUPO GESTOR? ________________________________________________
______________________________________________________________________
02. NUMA SITUAÇÃO DE CONFLITO, COMO VOCÊ SE POSICIONA ENQUANTO PROFISSIONAL?
___________________________________________________________________
03. O QUE VOCÊ ACHA QUE DEVERIA SER FEITO PARA MELHORAR O SEU TRABALHO?
04. COMO VOCÊ AVALIA A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO, PROFESSOR-COORDENADOR E PROFESSOR-PAIS?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
05. VOCÊ ACHA QUE AS FAMÍLIAS ESTÃO COLABORANDO COM A ESCOLA E CUMPRINDO COM SEU PAPEL? JUSTIFIQUE.
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

APÊNDICE D: QUESTIONÁRIO APLICADO AOS FUNCIONÁRIOS ADMINISTRATIVOS

NOME: ___________________________________________________
ENDEREÇO: ____________________________________________
SITUAÇÃO FUNCIONAL: (   ) CONTRATADO (   ) EFETIVO (   ) CONCURSADO
TEMPO DE SERVIÇO: __________

01. COMO VOCÊ AVALIA O TRABALHO REALIZADO NA SUA ESCOLA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
02. COMO É A SUA CONVIVÊNCIA NO SEU LOCAL DE TRABALHO?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
03. O QUE VOCÊ ACHA QUE DEVE SER FEITO PARA DIMINUIR OS CONFLITOS DENTRO DA ESCOLA?
__________________________________________________________________________________________________________________________________________
04. COMO VOCÊ AVALIA O PAPEL QUE VEM SENDO DESEMPENHADO PELO GRUPO GESTOR DE SUA ESCOLA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
05. QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES QUE VOCÊ ENCONTRA PARA DESEMPENHAR SEU PAPEL NA UNIDADE ESCOLAR E O QUE VOCÊ ACHA QUE DEVE SER FEITO PARA MELHORAR?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 E: QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS

NOME: _________________________________         _______ ANO
ENDEREÇO: ____________________________________________

01. COMO VOCÊ AVALIA O PAPEL QUE SEUS POROFESSORES VÊM DESEMPENHANDO NA SALA DE AULA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
02. SE VOCÊ PUDESSE MUDAR ALGUMA COISA NA ESCOLA O QUE SERIA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
03. COMO VOCÊ SE POSICIONA DIANTE DE ALGUMA SITUAÇÃO COM A QUAL VOCÊ NÃO CONCORDA?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________
04. COMO É A SUA CONVIVÊNCIA NA ESCOLA COM COLEGAS, PROFESSORE E NÚCLEO GESTOR (DIRETORA, COORDENADORA, SECRETÁRIA)?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
05. COMO VOCÊ AVALIA O ENSINO NA SUA ESCOLA E O QUE DEVERIA SER FEITO PARA MELHORAR?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Aula inaugural...

Hoje as 19:00 foi a aula inaugural dos cursistas da Faculdade de Pedagogia que para nós que moramos aqui é um motivo de honra agradecemos tudo isso ao Robério Mesquita que como eu é um verdadeiro apaixonado pelo o Salitre agradecemos também a Secretaria de Educação Rosimary Cardoso que também compartilhou conosco de nossas realizações e avanços de nossa comunidade.
Abrigada a todos que compartilham conosco desse sonho em ver o Salitre crescer e progredir.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Novidade

No dia 04/11/2011 a partir das 8:00 da manhã se realizará a união matrimonial de Sandra Coelho Bastos e Evaldo Rodrigues Mesquita depois de 20 anos de união estavél resolvemos nos casar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Alunos bagunceiros

Por Içami Tiba

Aluno bagunceiro em sala de aula é o que perturba o andamento da aula, prejudicando a aprendizagem - não só a própria como a dos outros colegas. Não vou listar aqui as bagunças mais comuns ou até mesmo as especiais para não estimular o leitor a ser mais um bagunceiro e nem para alimentar a turma da bagunça.
A bagunça é contagiante. A imitação é um forte componente do aprendizado infantil e juvenil, assim como é a necessidade de pertencer a um grupo. Existe um vínculo entre os enturmados que favorece com que um imite o outro. O grupo, ou turma, reforça o comportamento de um bagunceiro por dois motivos: sensações de prazer e de pertencimento. Em geral é a de pertencimento que gera a idéia: o que um faz, todos fazem.
Geralmente um aluno faz bagunça quando se sente respaldado pelo seu grupo. Raramente quem se sente isolado, fragilizado ou rejeitado faz bagunça a não ser para ser aceito pela “turma dos bagunceiros”.

As bagunças podem ter várias origens:
1.A aula é muito parada, enfadonha e sonífera. A bagunça pode ser até um movimento de vida dos alunos. Raramente os alunos aprendem com este clima. Eles gostam de participação, movimentos, novidades, desafios, não perder tempo etc.;
2.O bagunceiro quer interromper algo que não está gostando. O aluno tem dificuldades em fazer algo que não gosta, que não entende, que não vê o significado do aprendizado;
3.O bagunceiro não tem educação relacional, não sabe se comportar em grupo, só pensa em si mesmo, sem levar em consideração os interesses alheios;
4. O bagunceiro não consegue ficar parado e atento às aulas por ser muito agitado, disperso, desinteressado;
5.O bagunceiro não aceita regras, quer impor o seu modo de ser às pessoas;
6.O bagunceiro sente-se suficientemente forte para enfrentar professores ou qualquer outra autoridade docente;
7.O bagunceiro não tem interesse em que a aula progrida e passa a fazer tudo para atrapalhar o professor;
8.O bagunceiro não quer estudar, vai forçado para a escola, não gosta de nenhum professor e faz questão de agredi-lo, mesmo durante as aulas;
9.O aluno necessita ser notado e valorizado de qualquer maneira, mesmo que seja fazendo bagunças;
10.Todo aluno quer primeiro se enturmar e já na turma quer se sobressair seja no que for, inclusive nas bagunças etc.
Uma das melhores maneiras do professor lidar com as bagunças é tomar alguma atitude que seja mais interessante para todos os alunos da sala, inclusive o bagunceiro, desde que elas (bagunças) não causem danos materiais, transgressões às regras internas e externas à sala de aula, contravenções às leis, ferimentos físicos e sofrimentos psicológicos e/ou outros constrangimentos seja a quem for, paralisias, distorções e/ou prejuízos do bom funcionamento seja do que for.
Há bagunças que não são possíveis ser resolvidas no âmbito escolar. A estas, é preciso que a escola convoque os pais ou responsáveis pelo bagunceiro para se fazer um trabalho de parceria escola-pais do bagunceiro para que ele não manipule ninguém. O bagunceiro não fala a verdade sobre as suas ações aos seus pais que geralmente nem sabem o que seu filho anda aprontando. Falo sobre esta parceria no meu mais recente livro “Pais e Educadores de Alta Performance”.
Enquanto o bagunceiro não arcar com as conseqüências provocadas pelas suas ações, ele não encontra motivos para mudar estes comportamentos

domingo, 22 de maio de 2011

MOLDE PARA MONTAR A CHAMADA DA TURMA!


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Para educadores

Aos educadores
O ilustre escritor brasileiro Augusto Cury enumera em seu livro intitulado Pais brilhantes, professores fascinantes, o que ele considera os sete pecados capitais dos educadores.
O primeiro deles é corrigir o educando publicamente.
Um educador jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, diante dos outros.
Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.
O segundo é expressar autoridade com agressividade.
Os educadores que impõem sua autoridade são aqueles que têm receio das suas próprias fragilidades.
Para que se tenha êxito na educação, é preciso considerar que o diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível.
O terceiro é ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança.
Os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Os fracos impõem suas idéias à força, os fortes as expõem com afeto e segurança.
O quarto é punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações.
A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações.
Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias. Elogie o educando antes de corrigi-lo ou criticá-lo.
Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito. Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.
Quinto: ser impaciente e desistir de educar.
É preciso compreender que por trás de cada educando arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto.
Todos queremos educar jovens dóceis, mas são os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. São os filhos complicados que testam a grandeza do nosso amor.
O sexto, é não cumprir com a palavra.
As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não o quebre. Não dissimule suas reações. Seja honesto com os educandos. Cumpra o que prometer.
A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
Sétimo: destruir a esperança e os sonhos.
A maior falha que os educadores podem cometer é destruir a esperança e os sonhos dos jovens.
Sem esperança não há estradas, sem sonhos não há motivação para caminhar.
O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.
Você que é pai, professor ou responsável pela educação de alguém, considere que há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem.
Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo.
Lembre-se que a educação é a única ferramenta capaz de transformar o mundo para melhor, e que essa ferramenta está nas suas mãos.
Do seu uso adequado depende o presente e dependerá o futuro. O jovem é o presente e a criança é a esperança do porvir.
Pense nisso e faça valer a pena o seu título de educador. Eduque. Construa um mundo melhor. Plante no solo dos corações infanto-juvenis as flores da esperança.
A sabedoria das crianças
Certa feita, Jesus serviu-Se de um menino como exemplo, dizendo que o reino dos céus é daqueles que lhe fossem semelhantes.
As crianças, em verdade, nos surpreendem. Com sua argumentação, com sua lógica e conclusões, mais de uma vez.
Foi assim que um menino de 13 anos ligou para uma determinada rádio no Texas.
Ele mora em uma fazenda no meio do Estado do Nebraska. Identificou-se como Logan Henderson e começou um diálogo com o locutor do programa.
Contou que um bezerro nascera de uma vaca muito velha, na fazenda onde mora e, por ter algumas dificuldades, como falta de vitamina C, era muito fraco.
Narrou que, na noite anterior, o bezerro quebrara a coluna e, por isso tivera que ser sacrificado.
Com a morte do animal, Logan ficara muito triste e passou a interrogar a Divindade:
Por que, Deus? O animal era muito especial para mim. Por que ele teve que morrer?
Até aí, a narrativa não tinha maiores novidades. Uma criança falava de sua perda, do sentimento que a tomara pela morte do seu animal.
Contudo, o que viria na sequência é que deixou impressionados o locutor e os ouvintes. O garoto disse mais ou menos assim:
Deus me respondeu:
"Logan, Meu filho era especial, mas Ele morreu por um propósito."
E antes que a surpresa se diluisse, concluiu o menino:
Sabe, aquele bezerro era muito querido por mim. E o Filho de Deus era querido por Ele.
Eu só queria dizer a você que isso é muito importante.
Quando você perde uma pessoa que você ama ou um animal de estimação, lembre-se que Deus deu Seu Filho também.
E Ele entende você. Ele sempre vai entender. Somente corra para Ele.
Emocionado, o locutor lhe respondeu: Logan, você é mais sábio do que imagina.
O fato é singelo. A fala do garoto, dependendo da crença religiosa que se abrace, pode soar um pouco estranha. Talvez infantil demais.
Ou ousada, pela comparação que faz entre a morte do nosso Irmão e Mestre Jesus e a perda de um animal.
Mas, a conclusão a que chega é que importa.
Deus sempre entende os Seus filhos. Entende quando eles sofrem pela perda de um animal, de um ser amado.
Entende as lágrimas da infância e a dor madura de quem já viveu muitas experiências e vai enfrentar a solidão, porque seu grande amor partiu.
Pensemos nisso. Pensemos na Sabedoria Divina que Se serve de fatos aparentemente corriqueiros para grandes lições.
Que Se serve da palavra de um menino para dizer ao mundo: Não se desespere se o seu amor morrer. Volte-se para Deus. Ele entende você. Ele vela por você.
É só pedir. É só chamar por Ele. É só se voltar para Ele.
A cadeira vazia
Era uma singela igreja, freqüentada por moradores da região daquele distante bairro de Londres.
Os anos se passavam e o pequeno grupo se mantinha constante nas reuniões, ocupando sempre os mesmos lugares.
Foi por isso mesmo muito fácil ao pastor descobrir certo dia, uma cadeira vazia. Estranhou, mas logo esqueceu. Na semana seguinte, a mesma cadeira vazia lá estava e ninguém soube informar o que estava acontecendo. Na terceira ausência, o pastor resolveu visitar o faltoso.
No dia frio, foi encontrá-lo sentado, muito confortável, ao lado da lareira de sua casa, a ler.
Você está doente, meu filho? Perguntou. A resposta foi negativa. Ele estava bem.
Talvez estivesse atravessando algum problema, ousou falar o pastor, preocupado.
Mas estava tudo em ordem. E o homem foi explicando que simplesmente deixara de comparecer. Afinal, ele freqüentava o culto há mais de vinte anos.
Sentava na mesma cadeira, pronunciava as mesmas orações, cantava os mesmos hinos, ouvia os mesmos sermões. Não precisava mais comparecer. Ele já sabia tudo de cor.
O pastor refletiu por alguns momentos. Depois, se dirigiu até à lareira, atiçou o fogo e de lá retirou uma brasa.
Ante o olhar surpreso do dono da casa, colocou a brasa sobre a soleira de mármore, na janela.
Longe do braseiro, ela perdeu o brilho e se apagou. Logo, era somente um carvão coberto de cinza.
Então o homem entendeu. Levantou-se de sua cadeira, caminhou até o pastor e falou: tudo bem, pastor, entendi a mensagem.
E voltou para a igreja.
Todos nós somos brasas no braseiro da fé. Se mantemos regular freqüência ao templo religioso, estudando e trabalhando, nos conservamos acesos e quentes.
Mas, exatamente como fazem as brasas, é preciso estender o calor. Assim, acostumemos a não somente orar, pedir e esperar graças. Iluminados pelo evangelho de Jesus, nos disponhamos a agir em favor dos nossos irmãos.
Como as brasas unidas se transformam em um imenso fogaréu, clareando a escuridão e aquecendo as noites frias, unidos aos nossos irmãos de ideal, poderemos estabelecer o calor da esperança em muitas vidas.
Abrasados pelo amor a Jesus, poderemos transformar horas monótonas em trabalho no bem. A simples presença passiva na assembléia da nossa fé em um dinâmico trabalho de promoção social, beneficiando a comunidade.
Pensemos nisso e coloquemos mãos à obra.
Pensamento Clarificados pela mensagem do cristo, espalhemos calor nas planícies geladas da indiferença, da soledade e da necessidade.
Procuremos a dor onde ela se esconda e a envolvamos nos panos quentes da nossa dedicação.
Estendamos o brilho da esperança nas vidas amarfanhadas dos que nunca conseguiram crer em algo que estivesse além do alcance dos seus sentidos físicos.
Tornemo-nos brasas vivas, fazendo luz onde estejamos, atuando e servindo em nome de Jesus.
A escolha acertada
A época era de dificuldades. Os dramas humanos se multiplicavam nas estradas da china, sem que ninguém tivesse muito tempo para olhar para o lado e tentar auxiliar o vizinho.
Foi durante a guerra civil chinesa, que sucedeu ao conflito mundial da segunda guerra.
Wong e sua esposa Lee, com as quatro filhas, tinham urgência em sair de Hong Kong. Ele era um ilustre professor procurado pelas forças que oprimiam o país.
Enquanto ele tentava conseguir um meio de transporte que, por muito dinheiro, os pudesse levar para o campo, à casa de um tio, onde se poderiam ocultar, tentando salvar as próprias vidas, Lee acomodava as pequenas ao seu redor.
Ela precisava cuidar da bagagem, porque na confusão das ruas não eram poucos os que se aproveitavam para saquear os descuidados.
Precisava também atender as crianças que, um tanto assustadas, em meio à movimentação intensa, choramingavam, agarradas às suas vestes.
Num tempo que pareceu eterno, o marido chegou com um Jinriquixá, uma espécie de carrinho, puxado por um homem. Mas, enquanto ele providenciava a acomodação das malas, embrulhos e valises no pequeno transporte, um outro se aproximou.
Com certeza, vislumbrando a chance de um bom dinheiro, ofereceu-se para levar a família ao seu destino. Esperto, sabendo do preço elevado que o outro fizera, propôs um valor menor.
O professor Wong, homem prático, aceitou. Porém, Lee, a esposa, disse que não era correto deixar o homem que antes fora contratado. Afinal, ele perdera seu tempo, andara até ali puxando seu veículo e merecia respeito.
Falou de forma tão incisiva que o marido aceitou suas ponderações e lá se foram, no transporte mais caro.
A viagem não teve maiores dificuldades. Uns sustos aqui e ali, à conta de homens inescrupulosos pelo caminho, contudo, chegaram bem ao final da viagem.
Quer dizer, quase ao final. Porque o tio de Wong morava do outro lado do canal, e o Jinriquixá não ousou atravessá-lo.
Saltando do veículo, o casal dividiu a bagagem entre si e as pequerruchas, que tiveram também que carregar alguns embrulhos, apesar do pequeno tamanho, e atravessaram a ponte a pé.
Chegando à casa do tio e recebidos, com surpresa natural, começaram a se acomodar nos poucos cômodos. Depois que alimentou as filhas e as deitou para o descanso, transcorridas em torno de duas horas da chegada, Lee se deu conta que faltava uma mala.
"Meu Deus!" Gritou ela. Logo aquela em que havia escondido todo o dinheiro que haviam conseguido juntar, antes da fuga.
E agora? O coração em descompasso, pôs-se a chorar, abraçada ao marido.
"Como continuar a fuga sem dinheiro? Como dar continuidade à vida, sem nada a não ser as roupas e quatro bocas famintas para alimentar?"
Enquanto se dispunha, afinal, a secar as lágrimas, erguer a cabeça e recomeçar as lutas para a sobrevivência, alguém bateu na porta.
Todos se olharam temerosos. Seriam andarilhos salteadores? Seriam guerrilheiros que haviam descoberto a fuga?
O tio, procurando demonstrar uma calma que longe estava de sentir, abriu a porta. A punição por acolher fugitivos era severa. Talvez a morte.
Mas, na porta, estava o condutor... Com a mala. Viera devolvê-la, tão logo se dera conta que fora esquecida em seu transporte.
Fizera um longo trajeto de volta, ousara atravessar a ponte, somente para entregar a uma família fugitiva, a bagagem, com todo o seu conteúdo intacto.
O tio nem esboçou atitude. Todos ficaram parados, sem reação, pelo inusitado do momento. Um gesto de honestidade em meio à confusão que vivia o país e onde muitos somente pensavam em tomar de outros, à força, o que pudessem.
Lee ajoelhou-se e agradeceu a Deus que lhe havia inspirado para fazer a viagem com aquele homem, apesar do preço mais elevado.
A gratidão nasce nos momentos mais inusitados e a honestidade se revela nos corações bem formados.
Mesmo em meio ao caos, o homem guarda na intimidade valores reais dos quais lança mão em momentos precisos.
Por vezes, um simples gesto pode resultar em muitas bênçãos. Como o de Lee, em manter a fidelidade ao contrato verbal acertado com um desconhecido, em um momento de angústia e quase pavor, que alcançou ressonância em outro coração, quiçá, tão perseguido e maltratado como o dela mesma.
A canção da sobrevivência
Existem pessoas que reclamam condições para a realização de tarefas. Há as que se desculpam por não mais terem progredido, galgado altos degraus porque lhes faltaram melhores oportunidades.
Entretanto, a engenhosidade humana não tem limites e quando o Espírito deseja, concretiza seus anseios, embora os embates de fora, as agressões, as adversidades.
Durante a Segunda Guerra Mundial, num imundo campo de concentração em Sumatra, um bando de mulheres magras e desnutridas foram se sentindo sempre mais fracas.
Até que idealizaram algo que as pudesse aliviar da tortura do aprisionamento e das péssimas condições de alimentação e higiene.
Foi em dezembro de 1943 que as prisioneiras principiaram a serem avisadas que suas colegas promoveriam um concerto.
Ao ar livre, em um espaço cercado, a multidão de crianças e mulheres se apinhou.
Alguém escreveu no chão sujo: orquestra.
As participantes foram entrando, uma após a outra, cada qual portando um banquinho e algumas folhas de papel.
Nenhum instrumento à vista. Estranha orquestra. Seria uma brincadeira engendrada pelos guardas brutais, com o fim único de abater o ânimo, já tão escasso daqueles seres sofridos?
Então, uma missionária presbiteriana, magra, de grossas lentes destacou-se do grupo miserável de vestidos remendados e gastos, de pés descalços, cabeças raspadas e ataduras nas pernas e nos pés, para cobrir as feridas.
Sua voz soou clara, como um arauto de boas novas: Esta noite vocês ouvirão um coro de vozes femininas produzindo música, geralmente executada por orquestras.
Fechem os olhos, imaginem-se num teatro imponente e ouçam a música imortal.
As prisioneiras passaram a imitar o som da orquestra. Num crescendo, as sinfonias invadiram o pavilhão.
Pelas mentes cansadas das mulheres que ouviam, as imagens se sucediam como por encanto. A Pastoral do Messias do compositor Handel evocou o Natal, um prelúdio do polonês Chopin reavivou lembranças de um amor que um dia existira na fase do namoro e do casamento de muitas delas.
O som de violinos podia ser ouvido. Em certo momento, o guarda de baioneta no rifle, furioso, investiu contra o grupo.
No exato momento, o coro atingiu o auge de sua apresentação e ele permaneceu imóvel, como que hipnotizado pelos acordes vocais.
Por mais três ou quatro vezes, o coro fez concertos. A música lhes renovava as esperanças e o sentido de dignidade humana.
Quando cantavam, esqueciam que se encontravam num campo de concentração, entre ratos e mau cheiro.
Suas almas alçavam o vôo da liberdade e em suas asas conduziam as companheiras.
Além das cercas, dos maus tratos elas andavam nos campos, aspiravam o perfume das flores, adentravam salões de festa, teatros e participavam do grandioso concerto.
Seu canto as levava para muito além dos muros, da miséria e do desamor.
Você tem na garganta uma flauta mágica, disposta por Deus, para a modulação da canção da paz.
Use-a, todos os dias, para executar a sinfonia da esperança aos ouvidos dos aflitos e ciciar doces melodias para os corações em desesperança.
Una-se a outras vozes e à orquestra divina que se chama amor.
A melancolia
Dentre os vários problemas com que se debate a Humanidade, está a melancolia.
A melancolia é um estado d´alma de difícil definição, porque se manifesta nas profundezas do sentimento.
Sabemos que não nos encontramos pela primeira vez na Terra. Já vivemos aqui em outras épocas, em outros países, na companhia de outras pessoas.
Viajores que somos da eternidade, trazemos em nós as marcas das experiências vividas nas várias existências.
Hoje estamos na Terra novamente, num corpo diferente, talvez nesse país por primeira vez, numa situação social diversa da vivida em outras épocas.
Assim sendo, vez que outra nos deparamos com situações que tocam pontos guardados nos porões da nossa alma, e sentimos uma saudade de algo que não sabemos o que é.
Ou, ainda, sentimos uma vaga tristeza, uma depressão injustificável.
Fatos, situações, pessoas, música, perfume são indutores dessas incursões inconscientes no passado, e conforme tenha sido a experiência, será o sentimento.
Se o registro é de uma experiência feliz, nos sentiremos bem. Se, ao contrário, foram experiências malfadadas, teremos o sentimento correspondente.
Existem pessoas que, quando se deparam com o tempo nublado, frio e cinzento, sentem-se deprimidas.
Outras, o tempo chuvoso as faz sentirem-se muito bem.
Outras, ainda, quando ouvem uma música, sentem-se transportadas imediatamente de um estado d´alma a outro completamente inverso.
Por vezes, pessoas do nosso relacionamento nos dizem alguma coisa que nos deixa tristes, melancólicos, sem que exista motivo para tanto. Mas o problema não está no que dizem, e sim em como dizem.
Quando nos percebermos mergulhados em melancolia, devemos fazer esforços para mudar o clima psíquico, através da leitura edificante, de uma prece, da companhia de alguém que nos ajude a sair dela.
Jamais deveremos dar asas a esse tipo de sentimento, para que não mergulhemos nele ainda mais, a ponto de perdermos o controle da situação.
Nos momentos de depressão, quando inconscientemente mergulhamos no passado, Espíritos infelizes, ou antigos comparsas, podem tentar nos envolver nas mesmas teias dos equívocos por nós cometidos anteriormente, levando-nos a estados de difícil retorno.
Por essa razão é que não devemos nos entregar aos braços da melancolia ou da depressão.
É imperioso que façamos esforços, que busquemos com muita vontade mesmo, mudar nosso clima mental, buscando a sintonia com nossos Benfeitores Espirituais, que sempre nos amparam e auxiliam em todos os momentos da nossa existência.
Agindo assim, guardemos a certeza que logo mais, num amanhã feliz, saberemos o quanto valeu a pena passarmos por essas situações com coragem e dignidade, porque, então, nos aguardarão de braços abertos, os afetos dos quais tanta saudade sentimos.
Expulse a melancolia da sua alma fazendo luz íntima. Acenda a lâmpada do Evangelho na sua mente.
A dor serena
A experiência da dor é comum a todos os homens.
Ela se revela a cada um de modo diferente, mas a todos visita.
Os pobres sofrem pela incerteza quanto à manutenção de sua família.
Os doentes experimentam padecimento físico.
Os idealistas se angustiam pelo bem que tarda em se realizar.
O governante se acabrunha pela magnitude da tarefa que lhe repousa sobre os ombros.
Qualquer que seja a posição social de um homem, ele vive a experiência do sofrimento.
A própria transitoriedade da vida terrena é fonte de angústias e incertezas.
Pode-se muito fazer e muito angariar, mas a morte é uma certeza e a tudo transformará.
Alguma dilaceração é inerente ao viver.
Ninguém ignora a possibilidade de seus afetos o sucederem no retorno à Pátria Espiritual.
Nenhum homem sensato imagina que o vigor físico o acompanhará para sempre.
A universalidade da dor chama a atenção dos homens para o fato de que são essencialmente iguais.
Ocupam diferentes posições e têm experiências singulares, mas ninguém é feito de material imune à ação do tempo.
A vida material é transitória e isso não se pode negar.
Contudo, as pessoas evitam refletir sobre essa realidade.
Quando apanhadas pelos fenômenos próprios da transitoriedade da vida, costumam se revoltar.
Todos sofrem, mas poucos sofrem bem.
Tão raro é o bem sofrer que geralmente não é sequer compreendido.
Quando, em face de alguma experiência dilacerante, a criatura mantém a serenidade, acha-se que ela tem algum problema.
Confunde-se sensibilidade à dor com escândalos.
Se a pessoa não brada indignada e não procura culpados por sua miséria, entende-se que ela tem algo de obscuro em seu íntimo.
Uma mãe capaz de suportar serenamente a dor da morte de um filho surge aos olhos alheios como insensível.
Como se ausência de gritos significasse falta de amor!
No Sermão da Montanha, Jesus afirmou a bem-aventurança dos que choram, dos injuriados e perseguidos.
Certamente não estava a referir-Se aos que sofrem em meio a revoltas e desatinos.
Afinal, em outra passagem evangélica, afirmou que, quem desejasse, deveria tomar sua cruz e segui-Lo.
Trata-se de um sinal de que a conquista da redenção pressupõe algum sacrifício.
A Terra, por algum tempo ainda, será morada de Espíritos rebeldes às leis divinas.
Por séculos, semearam dor nos caminhos alheios e não se animaram a reparar os estragos.
Por isso, são periodicamente atingidos pelos reflexos de seus atos, até que aprendam o código de fraternidade que rege a Vida.
Reflita sobre isso antes de se permitir gritos e rebeldia.
As experiências que o atingem visam a torná-lo melhor e mais sensível à dor do semelhante.
Elas possibilitam sua recomposição perante a Justiça Cósmica.
Não perca a oportunidade com atitudes infantis.
Cesse reclamações, não procure culpados e não se imagine vítima.
Aproveite o ensejo para exemplificar sua condição de cristão.
Quando o sofrimento o atingir, sinta-se desafiado a ser um exemplo de dignidade, esforço e luta.
Sua serenidade perante a dor fará com que outros repensem a forma com que vivem.
Assim, você estará colaborando na construção de um mundo melhor, com menos revolta e insensatez.
Pense nisso.
A cadeira no caminho
Depois de um dia inteiro passado longe da família, entra em casa o pai, à noite.
Sua chegada alvoroça o filho que, esperando algum presente para ele, se precipita de braços abertos.
Por descuido, o pequeno estabanado vai de encontro a uma cadeira no caminho, e cai no chão, violentamente.
Não se machucou, mas, assustado pela surpresa da queda, põe-se a chorar em altos gritos.
Então, o pai só pensa em duas coisas: fazer calar o menino e acalmá-lo. Como conseguirá?
Facilmente, associando-se simplesmente aos sentimentos da criança, ajudando-a a soltar a rédea aos maus instintos.
Como assim? Liberando maus instintos? Não seria justamente o oposto que deveríamos fazer?
Pois bem, vejamos como a reação desse pai mostra que tomamos muitos caminhos absolutamente equivocados na educação de nossos filhos.
Reforçamos os maus instintos sem perceber, mais vezes do que imaginamos.
O pai precipita-se, levanta a criança, e começa a bater na cadeira ruim, cadeira feia, que fez cair o Carlinhos ou o Joãozinho.
Desse modo consegue rapidamente o que se propusera, pois Carlinhos ou Joãozinho, feliz por ver a cadeira castigada, cala-se, bate-lhe também, e fica satisfeitíssimo.
Não é verdade que assistimos cenas como essa diversas vezes?
Vamos analisar então o alcance real desse ato que tão inocente se supõe.
Quem tem culpa da queda da criança? Ela mesma, evidentemente. E quem foi castigada? A cadeira.
Lançando a culpa à cadeira, perde-se uma oportunidade de demonstrar praticamente à criança as conseqüências de sua imprudência e da sua atrapalhação.
Assim se deforma o seu critério de julgar, apresentando-lhe uma falsa relação entre a causa e o efeito.
Toda oportunidade de trabalhar esta temática, a da causa e do efeito, com as crianças, deve ser abraçada com vigor, pois nas pequenas aplicações do dia-a-dia está o desvendar de uma Lei Divina fundamental.
Mas, poderíamos ainda ir além e perguntar: por que sempre precisa haver um culpado? Por que não ensinamos as crianças a entenderem que existem muitas coisas que fazem parte da vida, e que sempre nos ensinam alguma coisa?
A cadeira no caminho poderia estar ensinando o cuidado, a atenção, ou ainda, poderia ser apenas uma cadeira no caminho.
Se fôssemos, na vida, abrir um berreiro, ou buscar culpados, para cada cadeira no caminho, esqueceríamos de viver, certamente, e seríamos só lamentos ambulantes.
Não deixemos que nossos filhos cultivem visões distorcidas da realidade desde cedo.
Não permitamos que a superproteção, ou nossos próprios medos atrapalhem o bom desenvolvimento de um ser, que precisa aprender a enfrentar os desafios da vida.
Punir a cadeira feia nunca será a solução. Nem deixaremos de sentir a dor da queda, nem resolveremos o problema da cadeira no caminho.
Entender que a lei de causa e efeito nos rege em todos os campos, inclusive no moral, faz-se importantíssimo, se desejamos ser bons pais e educadores.
O Espírito Meimei coloca na fala das crianças do mundo palavras de extrema beleza:
Peço-te, não me esqueças º pois sou teu filho, teu aluno, teu neto.
Sempre teu irmão, pedindo apenas a quota de amor e paciência de que preciso para me fazer homem de bem e companheiro de teu ideal
O Último Dia
"Aquele era seu último dia de vida, mas ele ainda não sabia disso."
Naquela manhã, sentiu vontade de dormir um pouco mais. Estava cansado, tinha deitado muito tarde e não havia dormido bem. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama, e levantou-se, pensando nas muitas coisas que precisava fazer na empresa.
Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado e nem nas olheiras escuras, resultado de noites mal dormidas.
Engoliu o café e saiu resmungando baixinho um "bom dia", sem muita convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia pedindo mais tempo para ficarem juntos.
Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?
Entrou no carro e saiu. Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.
Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto. Mas não podia, naquele dia, sair da empresa. Quem sabe no próximo final de semana?
Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava lotada, e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.
Na hora do almoço, pediu à secretária para trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte.
Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.
Enquanto relacionava os telefonemas que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up.
Mas ele logo concluiu que era um mal estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem açúcar.
Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou ao trabalho. "a vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir.
Saiu para uma reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando os degraus de dois em dois. Entrou no carro, deu a partida e, quando ia engatar a marcha, sentiu de novo o mal estar e agora com uma dor forte no peito.
O ar começou a faltar... A dor foi aumentando... O carro desapareceu... Os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem.
A esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas de que mais gostava.
Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã?
A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento.
Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte: a dor da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.
Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas...
Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto...
Queria... Queria... Mas não havia mais tempo...
Quantas pessoas estão vivendo hoje seu último dia de existência na Terra e não sabem disso!
Quantas saem do corpo físico diariamente e deixam muitas coisas por fazer!
Certamente os compromissos profissionais, a limpeza da casa, as compras, os pagamentos, outras pessoas farão.
Mas as questões afetivas, as coisas do coração, somente cada um pode deixar em dia. Aquela visita a um amigo, o abraço de ternura num familiar querido, um beijo carinhoso na esposa ou esposo, uma palavra atenciosa a alguém que precisa, um tempo a mais para dedicar aos amores..
A opção da simplicidade
Muitas pessoas reclamam da correria de suas vidas.
Acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno.
Entretanto, inúmeras delas multiplicam suas tarefas sem real necessidade.
Viver com simplicidade é uma opção que se faz.
Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas.
A rigor, enquanto buscam coisas, as criaturas se esquecem da vida em si.
Angustiadas por múltiplos compromissos, não refletem sobre sua realidade íntima.
Olvidam do que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto sufocam em buscas vãs.
De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio?
Se a criatura não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser.
Ninguém necessita trocar de carro constantemente, ter incontáveis sapatos, sair todo final de semana.
É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade.
O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.
A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções.
Ela experiencia a alegria de ser, apenas.
Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância.
Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida.
Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer.
A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.
Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, tomar sorvete...
Tudo isso compõe a simplicidade do existir.
Não é necessário ter muito dinheiro ou ser importante para ser feliz.
Mas é difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta.
Não há nada de errado com o dinheiro ou o sucesso.
É bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se.
Progredir sempre é uma necessidade humana.
Mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo de infinitas atividades.
Se o preço do sucesso for ausência de paz, talvez ele não valha a pena.
As coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde.
Mas há tesouros imateriais que jamais se esgotam.
As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.
Preste atenção em como você gasta seu tempo.
Analise as coisas que valoriza e veja se muitas delas não são apenas um peso desnecessário em sua existência.
Experimente desapegar-se dos excessos.
Ao optar pela simplicidade, talvez redescubra a alegria de viver.
Pense nisso.
A Águia de asas partidas
Ele possuía muitas riquezas. Tinha as arcas abarrotadas de ouro e gemas preciosas.
A juventude lhe sorria e os amigos sempre se faziam presentes nos banquetes.
Habituara-se a dormir em seu leito de ébano e marfim. Dormir e sonhar.
Em seus sonhos, misturava-se a realidade das tantas vitórias que lhe enriqueciam os dias. E um desejo de paz que ainda não fruía.
Ele amava as corridas de bigas e quadrigas. Recentemente comprara cavalos árabes, fogosos. E escravos o haviam adestrado durante dias.
Tudo apontava para a vitória nas próximas corridas no porto de Cesaréia.
Mas os momentos de tristeza se faziam constantes.
A felicidade não era total. Faltava algo. Ao mesmo tempo, ele temia perder a felicidade que desfrutava.
Por isso, ouvindo falar daquele Homem singular que andava pelas estradas da Galiléia, o procurou.
Bom mestre, que bem devo praticar para alcançar a vida eterna?
Desejava saber. Como desejava. A resposta veio sonora e clara:
Por que me chamas bom? Bom somente o Pai o é. À tua pergunta, respondo: "Cumpre os mandamentos, isto é, não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honrarás teu pai e tua mãe."
Tudo isso tenho observado em minha mocidade. No entanto, sinto que não me basta. Surdas inquietações me atormentam. Labaredas de ansiedade me consomem. Faltava-me algo!
Então º propõe-lhe a Luz º vende tudo quanto tens, reparte-o entre os pobres. Vem, e segue-Me!
A ordem, a meiguice daquele Homem ecoava em seu Espírito. Ele era uma águia que desejava alcançar as alturas. E o Rabi lhe dizia como utilizar as asas para voar mais alto.
Pela mente em turbilhão do jovem, passam as cenas das glórias que conquistaria. Os amigos confiavam nele.
Tantos esperavam a sua vitória. Israel seria honrada com seu triunfo.
Sim, ele podia renunciar aos bens de família, mas ao tesouro da juventude, às riquezas da vaidade atendida, os caprichos sustentados...?
Seria necessário renunciar a tudo?
A águia desejava voar, mas as asas estavam partidas...
Recorda-se o jovem que os amigos o esperam na cidade, para um banquete previamente agendado. Num estremecimento, se ergue:
Não posso! º murmura. Não posso agora. Perdoa-me.
E afastou-se a passos largos. Subindo a encosta, na curva do caminho, ele se deteve. Olhou para trás. Vacilou ainda uma vez.
A figura do Mestre se desenha na paisagem, aos raios do luar. A Luz parece chamá-lo uma vez mais.
Indecisa, a alma do moço parece um pêndulo oscilante. A águia ainda tenta alçar o vôo. O peso do Mundo a retém no solo.
Ele se decide. Com passos rápidos, quase a correr, desaparece na noite.
Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas narram o episódio e dizem de como o jovem se retirou triste e pesaroso.
Nem poderia ser diferente: fora-lhe dada a oportunidade de se precipitar no oceano do amor e ele preferira as areias vãs do Mundo.
O Divino Amigo nos chama, diariamente, para a conquista do reino de paz.
Alguns ainda somos como o moço rico. Deixamos para mais tarde, presos que ainda estamos a muitas questões e vaidades pessoais.
É bom analisar o que vale mais: a alegria efêmera do Mundo ou a felicidade perene que tanto anelamos. Depois, é só optar.
A ação da amizade
Vez que outra, é bom nos determos, por alguns minutos, para refletir um pouco sobre a ação da amizade em nossas vidas.
A amizade é o sentimento que une as almas umas às outras, gerando alegria e bem-estar.
A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.
Inspiradora de coragem e de abnegação, a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!
O egoísmo afasta as pessoas e as isola.
A amizade as aproxima e irmana.
O medo agride as almas e as infelicita.
A amizade apazigua e alegra os indivíduos.
A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.
Na área dos amores de profundidade a presença da amizade é fundamental.
Ela nasce de uma expressão de simpatia e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.
Quando outras emoções se enfraquecem no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada das pessoas que se estimam.
Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.
Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.
Discreta, se apaga, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.
Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.
A amizade é fácil de ser vitalizada.
Cultivá-la, constitui dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra o êxito, se avança com aridez na alma ou indiferente ao enlevo da sua fluidez.
Quando passam os impulsos sexuais do amor nos cônjuges, a amizade fica.
Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.
A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões, dá-nos até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é a meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.
Existe uma ciência de cultivar a amizade e construir o entendimento. Como acontece ao trigo, no campo espiritual do amor, não será possível colher sem semear.
Examine, pois, diariamente, a sua lavoura afetiva.
Irrigue-a com a água pura da sinceridade, do perdão, da atenção.
Sem esquecer jamais do adubo do amor, do carinho e do afeto.
Imite o lavrador prudente e devotado, e colherá grandes e precisos resultados.
A arte de resolver conflitos
O trem atravessava sacolejando os subúrbios de Tóquio numa modorrenta tarde de primavera.
Um dos vagões estava quase vazio: apenas algumas mulheres e idosos e um jovem lutador de Aikidô. O jovem olhava, distraído, pela janela, a monotonia das casas sempre iguais e dos arbustos cobertos de poeira.
Chegando a uma estação as portas se abriram e, de repente, a quietude foi rompida por um homem que entrou cambaleando, gritando com violência palavras sem nexo.
Era um homem forte, com roupas de operário. Estava bêbado e imundo. Aos berros, empurrou uma mulher que carregava um bebê ao colo e ela caiu sobre uma poltrona vazia. Felizmente nada aconteceu ao bebê.
O operário furioso agarrou a haste de metal no meio do vagão e tentou arranca-la. Dava para ver que uma das suas mãos estava ferida e sangrava.
O trem seguiu em frente, com os passageiros paralisados de medo e o jovem se levantou. O lutador estava em excelente forma física. Treinava oito horas todos os dias, há quase três anos.
Gostava de lutar e se considerava bom de briga. O problema é que suas habilidades marciais nunca haviam sido testadas em um combate de verdade. Os alunos são proibidos de lutar, pois sabem que Aikidô "é a arte da reconciliação. Aquele cuja mente deseja brigar perdeu o elo com o universo.
Por isso o jovem sempre evitava envolver-se em brigas, mas no fundo do coração, porém, desejava uma oportunidade legítima em que pudesse salvar os inocentes, destruindo os culpados.
Chegou o dia! Pensou consigo mesmo. Há pessoas correndo perigo e se eu não fizer alguma coisa é bem possível que elas acabem se ferindo.
O jovem se levantou e o bêbado percebeu a chance de canalizar sua ira.
Ah! Rugiu ele. Um valentão! Você está precisando de uma lição de boas maneiras!
O jovem lançou-lhe um olhar de desprezo. Pretendia acabar com a sua raça, mas precisava esperar que ele o agredisse primeiro, por isso o provocou de forma insolente.
Agora chega! Gritou o bêbado. Você vai levar uma lição. E se preparou para atacar.
Mas, antes que ele pudesse se mexer, alguém deu um grito: Hei!
O jovem e o bêbado olharam para um velhinho japonês que estava sentado em um dos bancos. Aquele minúsculo senhor vestia um quimono impecável e devia ter mais de setenta anos...
Não deu a menor atenção ao jovem, mas sorriu com alegria para o operário, como se tivesse um importante segredo para lhe contar.
Venha aqui disse o velhinho, num tom coloquial e amistoso. Venha conversar comigo insistiu, chamando-o com um aceno de mão.
O homenzarrão obedeceu, mas perguntou com aspereza: por que diabos vou conversar com você?
O velhinho continuou sorrindo. O que você andou bebendo? Perguntou, com olhar interessado.
Saquê rosnou de volta o operário e não é da sua conta!
Com muita ternura, o velhinho começou a falar da sua vida, do afeto que sentia pela esposa, das noites que sentavam num velho banco de madeira, no jardim, um ao lado do outro. Ficamos olhando o pôr-do-Sol e vendo como vai indo o nosso caquizeiro, comentou o velho mestre.
Pouco a pouco o operário foi relaxando e disse: é, é bom. Eu também gosto de caqui...
São deliciosos concordou o velho, sorrindo. E tenho certeza de que você também tem uma ótima esposa.
Não, falou o operário. Minha esposa morreu.
Suavemente, acompanhando o balanço do trem, aquele homenzarrão começou a chorar.
Eu não tenho esposa, não tenho casa, não tenho emprego. Eu só tenho vergonha de mim mesmo.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto.
E o jovem estava lá, com toda sua inocência juvenil, com toda a sua vontade de tornar o mundo melhor para se viver, sentindo-se, de repente, o pior dos homens.
O trem chegou à estação e o jovem desceu. Voltou-se para dar uma última olhada. O operário escarrapachara-se no banco e deitara a cabeça no colo do velhinho, que afagava com ternura seus cabelos emaranhados e sebosos.
Enquanto o trem se afastava, o jovem ficou meditando...
O que pretendia resolver pela força foi alcançado com algumas palavras meigas.
E aprendeu, através de uma lição viva, a arte de resolver conflitos.
A arte dos elogios
Pesquisadores da universidade de Yale, nos Estados Unidos da América, realizaram um estudo com dez mil executivos Seniors para medir o poder da amizade na qualidade de vida dos americanos.
O resultado foi impressionante: ter amigos reduzia em nada menos que 50% o risco de morte, sobretudo por doenças, num período de cinco anos. Estas informações foram publicadas por um jornal carioca, recentemente, nos convidam a pensar a respeito das amizades que cultivamos.
Muitos de nós temos facilidades para fazer novos amigos. Mas, nem sempre temos habilidade suficiente para manter essas amizades. É que, pelo grau de intimidade que os amigos vão adquirindo em nossas vidas, nos esquecemos de os respeitar.
Assim, num dia difícil, acreditamos que temos o direito de gritar com o amigo. Afinal, com alguém devemos desabafar a raiva que nos domina. Porque estamos juntos muitas horas, justamente por sermos amigos, nos permitimos usar para com eles de olhares agressivos, de palavras rudes.
Ou então, usamos os nossos amigos para a lamentação constante. Todos os dias, em todos os momentos em que nos encontramos, seja para um lanche, um passeio, uma ida ao teatro ou ao cinema, lá estamos nós, usando os ouvidos dos nossos amigos como lixeira.
É isso mesmo. Despejando neles toda a lama da nossa amargura, das nossas queixas, das nossas reclamações. Quase sempre, produto da nossa forma pessimista de ver a vida. Sim, nossos amigos devem saber das dificuldades que nos alcançam para nos poderem ajudar. O que não quer dizer que devamos estragar todos os momentos de encontro, de troca de afetos, com os nossos pedidos, a nossa tristeza.
Os amigos também têm suas dificuldades e para nos alegrar, procuram esquecê-las e vêm, com sua presença, colocar flores na nossa estrada árida. Outras vezes, nos permitimos usar nossos amigos para brincadeiras tolas, até de mau gosto. Acreditando que eles, por serem nossos amigos, devem suportar tudo. E quase sempre nos tornamos inconvenientes e os machucamos.
Por isso, a melhor fórmula para fazer e manter amigos é usar a gentileza, a simpatia, a doçura no trato com as pessoas.
Lembremos que a amizade, como o amor, necessita ser alimentada como as plantas do nosso jardim. Por isso a amizade necessita, para se manter da terra fofa da bondade, do sol do afeto, da chuva da generosidade, da brisa leve dos pequenos gestos de todos os dias.
Usa a cortesia nos teus movimentos e ações, gerando simpatia e amizade.
Podes começar no teu ambiente de trabalho. Os que trabalham contigo merecem a tua consideração e o teu respeito.
Torna-os teus amigos. Por isso, no trato com eles, usa as expressões: por favor, muito obrigado.
Lembra-te de dizer bom dia, com um sorriso, desejando de verdade que eles todos tenham um bom dia.
Observa e ajuda quanto puderes, gerando clima de simpatia.
Sê amigo de todos e espalha o perfume da amizade por onde vás e onde estejas.
Aborrecimentos
Nada mais comum nas atividades terrenas do que o hábito enraizado das querelas, dos desentendimentos, das chateações.
Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.
Como um campo de meninos, em que cada gesto, cada nota, cada menção se torna um bom motivo para contendas e mal-entendidos, também na sociedade dos adultos o mesmo fenômeno ocorre.
Mais do que compreensível é que você, semelhante a um menino de "pavio curto", libere adrenalina nos episódios cotidianos que desafiem a sua estabilidade emocional.
Compreensível que se agite, que se irrite, que alteie a voz, que afivele ao rosto expressões feias de diversos e matizes.
Em virtude do nível do seu mundo íntimo, tudo isso é possível de acontecer.
Contudo, você não veio à terra para fixar deficiências, mas para tratá-las, cultivando a saúde.
Você não se acha no mundo para submeter-se aos impulsos irracionais, mas para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.
Você não nasceu para se deixar levar pelo destempero, pela irritação que desarticula o equilíbrio, mas tem o dever de educar-se, porque tem na pauta da sua vida o compromisso de cooperar com Deus, à medida que cresça, que amadureça, que se enobreça.
Desse modo, os seus aborrecimentos diários, embora sejam admissíveis em almas infantis e destemperadas, já começam a provocar ruídos infelizes, desconcertantes e indesejáveis nas almas que se encontram no mundo para dar conta de compromissos abençoados com Jesus Cristo e com Seus prepostos.
Assim, observe-se mais; conheça-se no aprendizado do bem, um pouco mais. Esforce-se mais por melhorar-se.
Resista um pouco mais aos impulsos da fera que ainda ronda as suas experiências íntimas.
Aproxime-se um pouco mais dos Benfeitores Espirituais que o amparam.
Perante as perturbações alheias, aprenda a analisar e não repetir.
Diante da rebeldia de alguém, analise e retire a lição para que não faça o mesmo.
Notando a explosão violenta de alguém, reflita nas conseqüências danosas, a fim de não fazer o mesmo.
Cada esforço que você fizer por melhorar-se, por educar-se, será secundado pela ajuda de luminosos Imortais que estão, em todo tempo, investindo no seu progresso, para que, pouco a pouco, mas sempre, você se cresça e se ilumine, fazendo-se vitorioso cooperador com Deus, tendo-se superado a si mesmo, transformando suas noites morais em radiosas manhãs de perene formosura.

Quando você for visitado por uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponha-se a ela.
E, quando houver conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, diga, de si para consigo, cheio de justa satisfação: "fui o mais forte."

A ação de Deus
Linda era uma modelo famosa. Requisitada e disputada, conseguia contratos milionários. Apesar do dinheiro, da fama e da beleza, ela não era feliz.
Sentia um imenso vazio por dentro. Sofria de pavor, ansiedade e insônia. Pensou em tomar medicamentos. Alguns amigos aprovaram, outros não.
Ela decidiu procurar outras terapias. Assinou contratos que jamais havia sonhado. Trabalhava muito, mas continuava atormentada.
Um dia, pela manhã, indo de carro para o trabalho, pelo caminho costumeiro, o trânsito parou. Um guarda estava desviando todo o trânsito para uma ruazinha estreita, porque um encanamento havia rompido na avenida principal.
Dirigindo lentamente pela rua desconhecida, ela passou em frente a uma igreja. Um cartaz, escrito à mão, dizia: "Sem Deus não há paz. Conheça Deus, conheça a paz. Todos são bem-vindos".
Ela achou estranho e seguiu em frente. No dia seguinte, fazendo o mesmo trajeto, o trânsito parou. Um incêndio em uma loja fez com que, outra vez, o trânsito fosse desviado por aquela mesma ruazinha.
"De novo!", pensou Linda. E passou outra vez pela igreja. Lá estava o cartaz, que agora lhe pareceu atraente.
De dentro do carro, espiou o interior da igreja.
No terceiro dia, ela pensou em mudar de trajeto. Mas achou que estava sendo muito boba. Afinal, qual era a probabilidade de, em três dias seguidos, acontecer o desvio do trânsito, no mesmo local?
"Vai ser um teste", pensou. "Se acontecer alguma coisa e o trânsito for desviado, vou ter certeza de que é um sinal".
Quando ela chegou na avenida, lá estavam os policiais outra vez. "Um grande acidente", explicou um dos policiais, desviando o trânsito, para a já conhecida ruazinha.
"É demais", falou Linda, consigo mesma. Estacionou o carro e entrou na igreja. Lá dentro, havia apenas um padre. Ele ergueu os olhos, olhou para ela com um sorriso e perguntou:
"Por que demorou tanto?" - Ele havia visto o carro de Linda passar ali nos três dias. Eles conversaram muito e como resultado, Linda passou a freqüentar a pequena igreja.
Encontrou a paz e a serenidade que estava esperando. Exatamente como dizia o cartaz. Ela precisava de Deus na sua vida. E, sem dúvida, fora Deus que providenciara para que, de alguma forma, entendesse que ela precisava voltar-se para Ele, alimentar o seu espírito com a fé, a esperança e o amor.
A Providência Divina sempre se faz presente em nossas vidas. Ocorre que, nem sempre, estamos de olhos e ouvidos atentos para perceber e entender.
Filhos bem-amados do Criador, não podemos esquecer de buscar o amparo desse Pai amoroso e bom, para que Nele encontremos o nosso refúgio seguro.
Muitos O procuram nas igrejas, nos templos. Outros, nos livros. Alguns tentam o coração do próximo para ver se ali descobrem Deus.
Em verdade, muitos são os caminhos, mas o encontro verdadeiro se dá portas adentro do nosso coração.
Sabedoria
Conta-se que num país longínquo, há muitos séculos, um rei se sentiu intrigado com algumas questões. Desejando ter respostas para elas, resolveu estabelecer um concurso do qual todas as pessoas do reino poderiam participar.
O prêmio seria uma enorme quantia em ouro, pedras preciosas, além de títulos de nobreza.
Seria premiado com tudo isto quem conseguisse responder a três questões: qual é o lugar mais importante do mundo? Qual é a tarefa mais importante do mundo? Quem é o homem mais importante do mundo?
Sábios e ignorantes, ricos e pobres, crianças, jovens e adultos se apresentaram, tentando responder as três perguntas.
Para desconsolo do rei, nenhum deles deu uma resposta que o satisfizesse.
Em todo o território um único homem não se apresentou para tentar responder os questionamentos. Era alguém considerado sábio, mas a quem não importavam as fortunas nem as honrarias da terra.
O rei convocou esse homem para vir à sua presença e tentar responder suas indagações. E o velho sábio respondeu a todas:
- O lugar mais importante do mundo é aquele onde você está. O lugar onde você mora, vive, cresce, trabalha e atua é o mais importante do mundo. É ali que você deve ser útil, prestativo e amigo, porque este é o seu lugar.
- A tarefa mais importante do mundo não é aquela que você desejaria executar, mas aquela que você deve fazer.
- Por isso, pode ser que o seu trabalho não seja o mais agradável e bem remunerado do mundo, mas é aquele que lhe permite o próprio sustento e da sua família. É aquele que lhe permite desenvolver as potencialidades que existem dentro de você. É aquele que lhe permite exercitar a paciência, a compreensão, a fraternidade.
- Se você não tem o que ama, importante que ame o que tem. A mínima tarefa é importante. Se você falhar, se se omitir, ninguém a executará em seu lugar, exatamente da forma e da maneira que você o faria.
E, finalmente, o homem mais importante do mundo é aquele que precisa de você, porque é ele que lhe possibilita a mais bela das virtudes: a caridade.
- A caridade é uma escada de luz. E o auxílio fraternal é oportunidade iluminativa. É a mais alta conquista que o homem poderá desejar.
O rei, ouvindo as respostas tão ponderadas e bem fundamentadas, aplaudiu, agradecido.
Para sua própria felicidade, descobrira um sentido para a sua vida, uma razão de ser para os seus últimos anos sobre a Terra.
Muitas vezes pensamos em como seria bom se tivéssemos nascido em um país com menos inflação, com menos miséria, sem taxas tão altas de desemprego, gozando de melhores oportunidades.
Outras vezes nos queixamos do trabalho que executamos todos os dias, das tarefas que temos, por acha-las muito ínfimas, sem importância.
Desejamos que determinadas pessoas, importantes, de evidência social ou financeira pudessem estar ao nosso lado para nos abrir caminhos.
Contudo, tenhamos certeza: estamos no lugar certo, na época correta, com as melhores oportunidades, com as pessoas que necessitamos a nossa evolução.
Pense nisso. Mas, pense agora.
A sabedoria do samurai
Conta-se que, perto de Tóquio, capital da Japão, vivia um grande samurai.
Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Era famoso por usar a técnica da provocação.
Utilizando-se de suas habilidades para provocar, esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de inteligência e agilidade, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.
Assim que soube da reputação do velho samurai, propôs-se a não sair dali sem antes derrotá-lo e aumentar sua fama.
Todos os discípulos do samurai se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da pequena cidade e diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu sereno e impassível.
No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
Como o senhor pôde suportar tanta indignidade?
Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar num deles lhe perguntou:
Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece mas você não o aceita, com quem fica o presente?
Com quem tentou entregá-lo, respondeu o discípulo.
Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
Por essa razão, a sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, se você não o permitir.
Sempre que alguém tentar tirar você do sério, lembre-se da sábia lição do velho samurai.
Lembre-se, ainda, que seus atos lhe pertencem. Só você é responsável pelo que pensa, sente ou faz.
Só você, e mais ninguém, pode permitir que alguém lhe roube a paz ou perturbe a sua tranquilidade.
Foi por essa razão que Jesus afirmou que só lobos caem em armadilhas para lobos.
Assim, aceitar provocações ou deixar que fiquem com quem nos oferece, é uma decisão que cabe exclusivamente a cada um de nós.
Pensemos nisso!
A sua tarefa
Deus dotou os Espíritos do princípio de todos os dons.
Entretanto, os criou em estado de simplicidade e ignorância.
Cada um deve desenvolver a própria potencialidade, por seu mérito e esforço.
Nesse processo de aprendizado, a Terra funciona como um educandário.
Os Espíritos que se situam em determinada faixa evolutiva nela encarnam para terem as experiências de que necessitam.
A vida humana não é feita de acasos.
A família em que se nasce, o meio social em que se vive, certas experiências marcantes, tudo isso é planejado.
Antes de encarnar, o Espírito é auxiliado a perceber suas dificuldades e se dispõe a enfrentá-las.
Ele verifica as áreas em que necessita burilar-se e programa a próxima existência terrena.
Assim, quem se deixou tomar pelo orgulho encaminha-se para uma vida obscura.
Aquele que chafurdou na promiscuidade enfrenta bloqueios e complexos na área da sexualidade.
O rico avarento do passado programa viver a experiência da pobreza.
O mau patrão retempera-se na condição de modesto e sofrido empregado.
Quem não amparou devidamente seus filhos pede para viver na condição de órfão.
Outros ressurgem em posições de destaque, a fim de se dedicarem à causa do bem.
Tentados por facilidades e distrações, necessitam encontrar forças para utilizar seus recursos em favor do próximo.
A beleza, o poder e a fortuna são provas difíceis, pois frequentemente instigam o orgulho e o egoísmo.
Muitos fracassam quando passam por tais experiências.
Mas a realidade é que a vida terrena destina-se a promover o aprimoramento do caráter e do intelecto.
Ela é fruto de um sério planejamento.
Entretanto, nem tudo está pré-determinado.
O livre-arbítrio é preservado e cada um responde pelas resoluções que toma e pelos atos que pratica.
Do mesmo modo, nem todas as ocorrências são antecipadamente previstas.
As pessoas com quem se convive não são necessariamente partícipes de um passado co
Alguns problemas, dores, desgostos e enfermidades são inerentes ao viver terreno.
A maioria dos desconfortos e transtornos são frutos de imprevidência atual.
Quem se permite atitudes antipáticas e rudes transforma meros conhecidos em desafetos.
O certo é que o Espírito é inserido em dado contexto, no qual se defronta com situações que precisa resolver.
Frequentemente, uma criatura inveja a sorte de outra.
Os problemas alheios sempre parecem de fácil solução.
As dores dos outros nunca se afiguram muito graves para o observador.
Mas cada qual vive o que necessita.
As próprias tarefas são difíceis porque correspondem a áreas de dificuldade.
Para seguir adiante, é necessário fazer a lição do momento.  
Assim, pare de se debater com as exigências de sua vida.
Não procure fugir de seus problemas e aflições.
Dedique-se antes a resolvê-los, a fim de libertar-se deles.
Se a vida lhe pede paciência em face de situações inelutáveis, seja paciente.
Perante um familiar ou um chefe difícil, exercite a tolerância.
Comporte-se como um estudante que deseja passar de ano.
Cesse as reclamações e faça a lição.
Pelas dificuldades que você enfrenta, pode perceber quais são suas deficiências evolutivas.
Empenhe-se firmemente em burilar o seu caráter.
Adote um patamar nobre de conduta e jamais se afaste dele.
Você nasceu para amealhar virtudes, para ser digno e bondoso.
Essa é a sua tarefa.
Pense nisso.
A semente e a fruta
A natureza sempre nos oferece grandes e belos ensinamentos, basta que prestemos atenção nos mínimos detalhes.
É o caso, por exemplo, da semente de do fruto.
E, quando falamos em semente e fruto, logo nos vem à mente a germinação das sementes de trigo, milho, feijão entre outras.
Mas não são só essas sementes que nascem e frutificam. As sementes do bem e do mal que espalhamos germinam também com toda certeza e precisão.
Há sementes de germinação rápida, como a da couve, por exemplo, e há outras de germinação lenta, como a do carvalho.
Todas, porém, nascem, crescem e dão fruto em seu devido tempo.
O mesmo acontece com a sementeira do bem e do mal. Algumas sementes nascem de pronto, outras são de germinação tardia.
A terra não guarda nenhuma semente viva em seu seio: todas as que ali são lançadas dali surgem com seus respectivos frutos.
Fenômeno semelhante ocorre no terreno espiritual: o bem ou o mal, a verdade ou a mentira, o amor ou o desamor, a justiça ou a injustiça, uma vez semeadas, nascerão fatalmente e darão frutos conforme suas respectivas espécies.
Jesus, o grande Sábio da humanidade, ensinou-nos essas coisas quando falou que uma árvore boa não dá frutos maus e uma árvore má não pode dar bons frutos.
E ainda afirmou que não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos".
Tudo isso quer dizer que o que semeamos hoje, colheremos logo mais, assim como a colheita de hoje resulta do plantio feito no passado, que pode ser próximo ou remoto.
É por essa razão que são necessárias várias existências para plantar e colher, preparar o solo e semear novas sementes.
E essa lei de causa e efeito, ou de ação e reação, tem por finalidade o progresso intelectual e moral do homem.
Quando colhemos os frutos amargos das semeaduras infelizes, aprendemos a selecionar melhor as sementes para os plantios futuros, e é isso que Deus espera de cada filho seu.
Dessa forma, de existência em existência vamos aperfeiçoando nosso campo íntimo, arrancando as ervas daninhas e cultivando a erva boa das virtudes.
Portanto, pela semeadura de hoje podemos precisar como será nossa colheita futura.
Assim como não devemos lançar a culpa em ninguém pela colheita que estamos fazendo hoje, por sermos os únicos responsáveis por ela.
Afinal, foi o próprio cristo que assegurou que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Tratemos, pois, de tomar os devidos cuidados com as sementes que estamos lançando no solo nos dias atuais.
Pense nisso!
Jesus, muitas vezes ensinou por parábolas. Vale a pena retirar delas as lições para as nossas vidas.
Certa vez Ele falou que o homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio".
Essas poucas palavras do Mestre já nos dão muito material para reflexões.
Pensemos nisso!
A solidão
Há dias em que sentimos com mais intensidade o fardo da solidão.
À medida que nos elevamos, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentamos a solidão dos cimos e profunda tristeza nos dilacera a alma sensível.
Onde se encontram os que sorriam conosco no parque primaveril da primeira mocidade?
Onde pousam os corações que nos buscavam o aconchego nas horas de fantasia?
Onde se acolhem quantos nos partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras felizes do início?
Por certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contacto da menor chama de luz que se lhes descortine à frente.
Em torno de nós, a claridade, mas também o silêncio...
Dentro de nós, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não sermos compreendidos...
Nossa voz grita sem eco e o nosso anseio se alonga em vão.
Entretanto, se realmente subimos, que ouvidos nos poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os nossos ideais de altura?
Choramos, indagamos e sofremos...
Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso?
A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
Não nos cansemos de aprender a ciência da elevação.
Lembremo-nos do Senhor Jesus que escalou o Calvário, com a cruz aos ombros feridos. Ninguém O seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
Não relacionemos os bens que, porventura, já houvermos espalhado.
Confiemos no infinito bem que nos aguarda.
Não esperemos pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento.
E não nos esqueçamos que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o Divino Amigo da Humanidade não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
O sacrifício na cruz é a mais bela lição de resignação que o Mestre nos legou.
Sem nenhuma imposição conclamou-nos: Quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz, negue a si mesmo e siga-Me.
O que equivale a dizer que tomemos a cruz dos nossos sofrimentos com abnegação, e escalemos a montanha da ascensão espiritual, confiantes Naquele que nos fez o convite.
E, embora com os pés sangrando, ao chegarmos no topo do monte, depararemos com a planície florida e a estrada iluminada que nos conduzirá ao Mestre.
Recordemo-Lo portanto, e sigamo-Lo...
Se não temos conosco as marcas do testemunho pela responsabilidade, pelo trabalho, pelo sacrifício ou pelo aprimoramento íntimo, é possível que amemos profundamente a Jesus, mas é quase certo que ainda não nos colocamos, junto Dele, na jornada redentora.
Abençoemos, pois, a nossa cruz e sigamo-Lo, sem temor, buscando a vitória do amor e a felicidade eterna.
O sábio e o pássaro
Conta-se que certa vez, um homem muito maldoso resolveu pregar uma peça em um mestre, famoso por sua sabedoria.
Preparou uma armadilha infalível, como somente os maus podem conceber.
Tomou de um pássaro e o segurou nas mãos, imaginando que iria até o idoso e experiente mestre, formulando-lhe a seguinte pergunta: "mestre, o passarinho que trago nas mãos está vivo ou morto?"
Naturalmente, se o mestre respondesse que estava vivo, ele o esmagaria em sua mão, mostrando o pequeno cadáver. Se a resposta fosse que o pássaro estava morto, ele abriria as mãos, libertando-o e permitindo que voasse, ganhando as alturas.
Qualquer que fosse a resposta, ele incorreria em erro aos olhos de todos que assistissem a cena.
Assim pensou. Assim fez.
Quando vários discípulos se encontravam ao redor do venerando senhor, ele se aproximou e formulou a pergunta fatal.
O sábio olhou profundamente o homem em seus olhos. Parecia desejar examinar o mais escondido de sua alma, depois respondeu, calmo e seguro: "o destino desse pássaro, meu filho, está em suas mãos."
A história pode nos sugerir vários aspectos. Podemos analisar a maldade humana, que não vacila em esmagar inocentes para alcançar os seus objetivos.
Podemos meditar na excelência da sabedoria, que se sobrepõe a qualquer ardil dos desonestos. Mas podemos sobretudo falar a respeito da destinação humana, ainda tão mal compreendida.
Normalmente, tudo se atribui a Deus, à Sua vontade: as doenças, a miséria, a ignorância, a desgraça...
Ora, se Deus é de infinito amor e bondade, conforme nos revelou Jesus, como conceber que Ele seja o promotor do infortúnio?
A vida nos é dada por Deus mas a qualidade de vida é fruto das ações humanas.
Se o mal impera, é porque os bons se omitem, de forma tímida, permitindo o avanço acintoso daquele.
A mão que liberta o homem da desgraça é a do seu semelhante, o mais próximo que se lhe situe.
Assim, o destino de nossa sociedade é o somatório de nossas ações.
Filhos de Deus, criados à Sua imagem e semelhança, exercitemos a vontade, moldando nossa destinação gloriosa, bem como influenciemos positivamente as vidas dos que nos cercam.
Você sabia?
Que é nosso dever fazer algo de bom pelo semelhante?
Que para uma sociedade sadia é indispensável a solidariedade?
E que solidariedade significa prestar ao semelhante todo o cuidado que gostaríamos de receber dele, caso fôssemos nós os necessitados?

O semeador
Dona Angélica era professora. Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa vila próxima.
Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu comportamento, que parecia um tanto esquisito.
Os alunos da escola de primeiro grau tinham-na como uma pessoa muito estranha.
Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e volta do lar à escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não conseguiam entender, e por esse motivo, pensavam que ela era meio fora do juízo.
Pela janela do trem, dona Angélica fazia acenos como se estivesse dizendo adeus a alguém invisível aos olhos de todos.
As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela não sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas.
Todos, inclusive os pais e demais professores achavam que ela era maluca, embora reconhecessem que era uma excelente educadora.
Os anos se passavam e a situação continuava a mesma. Várias gerações receberam, da bondosa e dedicada professora, ensinamentos valiosos e abençoados.
Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem compreendida.
Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito de abnegação e devotamento quase maternal.
Certo dia em que viajava para sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do trem, movimentava, como sempre, as mãos para fora da janela.
Os alunos sentados na parte de trás sorriam maliciosamente, quando Alberto, seu aluno de dez anos, porque amava muito sua mestra, sentou-se ao seu lado e, com ternura, lhe perguntou:
Professora, por que você insiste em continuar com essas atitudes loucas?
Que deseja dizer, filho? Interrogou, surpresa, a bondosa senhora.
Ora, professora - continuou ele, - você fica dando adeuses para os animais, abanando as mãos... Isso não é loucura?
A mestra amiga compreendeu e sorriu.
Sinceramente emocionada, chamou a atenção do aluno, dizendo:
Veja esta bolsa. - E apontou para a intimidade do objeto de couro forrado. Nota o que há aí dentro?
Sim. - Respondeu Alberto. Eu vejo que há algo aí, mas o que é, afinal?
A professora respondeu calmamente: É pólen de flores. São sementes miúdas...
Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada, antes, era feia, árida, desagradável.
Eu tive a ideia de a embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em quando, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela...
Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem.
Como você pode perceber, a paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos matizes e suave perfume no ar, que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.
Na vida, todos somos semeadores...
Uns semeiam flores e descobrem belezas, perfumes e frutos.
Outros semeiam espinhos e se ferem nas suas pontas agudas.
Ninguém vive sem semear, seja o bem, seja o mal...
Felizes são aqueles que, por onde passam, deixam sementes de amor, de bondade, de afeto...
O sentido da vida
Você já reparou como é difícil, algumas vezes, ter respostas para algumas dúvidas do dia a dia? Ter respostas para essas perguntas que nos surgem quando estamos na fila do supermercado, ou escovando os dentes ou parados no sinaleiro, dentro da condução?
Você já não teve dessas perguntas que, um dia, sem pedir licença, entram em nossa mente e ficam rodando, rodando, até que desistimos delas, ou as guardamos no fundo, bem no fundo do baú de nossa mente?
Quem de nós já não se perguntou por que nascemos em situações tão diferentes? E quanto às nossas capacidades, será que Deus nos criou assim tão diferentes uns dos outros?
E por que Ele permite haver uns na Terra com tanto e outros com tão pouco? Ou ainda, por que pessoas boas sofrem, passam por provas, por dificuldades, dores?
Se Deus é soberanamente bom e justo, se Deus é, na profunda síntese do Evangelista, amor, qual a razão disso tudo? Qual o sentido de todas essas coisas, aparentemente tão incoerentes?
Na verdade, quando essas perguntas nos surgem, é nossa intimidade buscando respostas para o sentido da vida. São perguntas que a Filosofia vem se fazendo desde há muito, e que refletem o anseio que cada um de nós traz na intimidade: Afinal, qual o sentido da vida? Por que estamos aqui?
Deus, ao nos matricular na escola da vida, deseja de nós que o aprendizado aconteça. Como todo pai ao matricular seu filho na escola, Ele espera que aprendamos a lição.
Nos bancos escolares, nos matriculamos para aprender a escrever, a manipular os números, a entender um pouco as leis da Física, da Química e de tantas outras ciências. E na escola da vida, o que temos que aprender?
Jesus, no Seu profundo entendimento das Leis de Deus, foi firme ao nos ensinar que o maior mandamento da Lei do Pai é o do amor.
Assim, podemos entender que, quando matriculados na escola da vida, na escola que Deus nos oferece, Ele espera de nós essa única lição: aprender a amar.
Dessa forma, todas as oportunidades que a vida nos oferece, são oportunidades para aprendermos a amar. Seja na situação financeira difícil, ou no físico comprometido, estão aí, para nós, as melhores lições para amar.
A doença que nos surge, de maneira inesperada, é o convite à resignação e fé. O chefe difícil, intempestuoso, nos convida à compreensão
O filho exigente é a oportunidade da paciência e do desvelo. O marido tirano, a esposa intransigente são os portadores do convite à humildade e compreensão.
A cada esquina, o que a vida nos oferece, seja da forma como ela nos oferece, sempre traz consigo oportunidade bendita do aprender a amar. Você já reparou nisso?
E o aprender a amar se faz no exercício diário desse sentimento, desdobrado nos inúmeros matizes que ele guarda em si, nas mais variadas virtudes que ele permite ser vivido.
Seja onde a vida nos colocar: no corpo doente, no lar carente, na família difícil, ali estará nossa melhor lição para amar.
Tenha sempre em mente que o maior sentido da vida é conseguir perceber e entender que ela guarda, em cada oportunidade, em cada desafio que nos oferece, bendita lição para aprender a conjugar o verbo amar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Plano de aula



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